A OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) fez uma revisão em forte alta para o crescimento econômico global em 1999 por causa dos desdobramentos melhores do que os projetados em dezembro para as crises do Brasil e da Rússia.
No panorama econômico semestral que a OCDE divulgou ontem em sua sede, em Paris, a entidade prevê que a economia dos 29 países mais ricos do mundo vai crescer 2,1% em 1999. Em dezembro, a OCDE havia projetado o crescimento em apenas 1,4%. Segundo a organização, a expansão em 1998 foi de 2,2%.
‘‘A calma e a confiança voltaram aos mercados financeiros depois que os piores temores sobre as ramificações da crise da Rússia em agosto passado não se concretizaram e a crise no Brasil foi em grande medida confinada à região’’, afirmou a OCDE. A inflação deverá ficar sob controle nos próximos 18 meses. Os preços de importação de petróleo devem permanecer estáveis em US$ 15 o barril e não haverá recuperação significativa de outros preços, acrescenta.
O crescimento no comércio mundial vai mostrar uma recuperação robusta no segundo semestre de 1999, ajudado pela estabilização da demanda doméstica da Ásia. No entanto, o crescimento do comércio global vai desacelerar para 3,9% em 1999, de 4,5% em 1999, prevê a OCDE.
A organização acredita que o crescimento econômico no ano 2000 também deve desacelerar para 1,7%. Há tendências significativamente divergentes dentro da região da OCDE, particularmente entre os EUA e o Japão, assim como na zona do euro, e, segundo o relatório, é cedo para dizer se a calma nos mercados financeiros reflete uma situação temporária ou uma recuperação sustentada nos sentimentos.
Os principais riscos são, segundo a OCDE, um aprofundamento da crise no Brasil, uma piora nas circunstâncias econômicas na Rússia a ponto de atingir seus vizinhos, e uma desaceleração mais longa do que a prevista na China. No entanto, o desatrelamento dos credores da OCDE dos países em
desenvolvimento tem sido de tal dimensão que o impacto de qualquer destes eventos na região da OCDE seria limitado aos países mais pobres com severos problemas estruturais, como a Turquia.

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