Melhora do salário pressiona preços
Curitiba - No grupo de serviços, os preços que mais subiram foram serviços pessoais como empregada doméstica, cabeleireiro e manicure. Além disso, pesaram no bolso aluguel e condomínio com o mercado imobiliário aquecido. Só o serviço de empregada doméstica sobe de 8% a 9% ao ano.
Os serviços pessoais tiveram taxa de variação próxima a 7,5% em 2007 e 2009 e ao redor de 9,5% em 2008 e 2010. Para a maioria dos outros componentes dos serviços e para o grupo como um todo, esse aquecimento aparece com mais força no ano de 2010 especificamente.
É assim com recreação (8,8% em 2010 contra 4,8% na média dos três anos anteriores), aluguel e condomínio (7,3% contra média anterior de 5,5%), mão de obra em reparos (10,6% contra 8,1%), serviços educacionais (6,7% contra 5,3%) e serviços de saúde (8,6% contra 6,5%). Para o todo dos serviços, sem serviços alimentícios, a taxa de variação foi em média 6% de 2007 a 2009 e 7,6% em 2010.
''Muitos serviços têm como base o salário mínimo como manicure, cabeleireiro e empregada doméstica. Com o aumento real do mínimo, reflete em alguns preços de serviços'', disse o economista do Dieese, Cid Cordeiro. E, completou, com a elevação da renda há pressão maior ainda por serviços.
Para realizar as análises, os pesquisadores do Ipea fizeram a decomposição da inflação oficial, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), verificado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e estudaram quais são os grupos que mais tiveram influência no índice. O estudo avaliou o impacto dessas mudanças nos preços dos grupos alimentos, bebidas, serviços, monitorados e industrializados, que formam o IPCA.
Os pesquisadores fizeram ainda a relação do crescimento da economia na última década, com o comportamento da inflação. De 1995 a 2003 a taxa de crescimento média do PIB real foi de 2,18% ao ano, enquanto de 2004 a 2010 o crescimento médio subiu para 4,42%.
Futuro
Apesar de a inflação nos últimos 12 meses ainda estar alta, na casa dos 7%, os índices inflacionários já começaram a arrefecer desde junho. O economista do Dieese, Cid Cordeiro, disse acreditar que o IPCA deve ter um pico em setembro mas, a partir de outubro, terá uma variação menor. Segundo ele, a tendência é que o IPCA passe dos atuais 7% para 4,5% no final de 2012.
Para Thiago Martinez, do Ipea, a explosão das commodities não deve ser tão intensa a partir de agora. ''Não teremos problemas de controle da inflação'', previu. Ele disse que as medidas adotadas pelo governo federal como controle do crédito, elevação de impostos e alta dos juros podem ajudar a controlar a inflação. Mas, destacou que uma outra saída paralela seria elevar os investimentos para aumentar a capacidade de produção da economia. (A.B.)





