Melhor uso é quitar dívidas
Melhor uso é quitar dívidas
O 13º salário deve ser usado para quitar dívidas, principalmente por quem está no vermelho no cheque especial ou no cartão de crédito, ou para antecipar o pagamento de prestações de produto ou serviço adquirido por meio do crédito direto ao consumidor. A orientação é de Miguel José Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).
Os motivos para usar o dinheiro do abono anual para liquidar as dívidas no cheque especial e no cartão de crédito são os elevados juros mensais que incidem sobre os débitos e, também, a forma com que bancos e administradoras de cartões cobram essas taxas, com juros sobre juros. Esse critério eleva substancialmente a dívida, diz Oliveira.
A taxa média de juros no cheque especial está em 10,32% ao mês. Esse porcentual representa um juro total de 224,98% ao ano. Supondo que um correntista esteja pendurado em R$ 1 mil no cheque especial, em três meses o seu débito pulará para R$ 1.342,65.
Caso tenha uma dívida no mesmo valor no cartão de crédito, cujos juros mensais giram em torno de 10,27%, em média, em seis meses o débito atingirá R$ 1.797,81.
Se, em vez de quitar suas dívidas, o empregado resolver aplicar R$ 1 mil do seu 13.º na poupança, no mesmo período terá apenas R$ 1.044,61, considerando o juro mensal de 0,73% pago pela caderneta de poupança no último mês.
Se não estiver inadimplente no crédito direto ao consumidor, no cheque especial ou no cartão de crédito, o empregado poderá usar o 13.º para antecipar o pagamento de prestações de bens ou serviços adquiridos por meio do crédito direto ao consumidor.
Segundo Oliveira, pelo artigo 52 do Código de Defesa do Consumidor, o pagamento da prestação poderá ser antecipado mediante a redução proporcional dos juros cobrados ao mês. O consumidor deve exigir a redução desses encargos.
Como na maior parte dos casos o valor da primeira parcela do 13º é relativamente baixo, quem vai aplicar o dinheiro não tem muitas opções. Se os recursos forem investidos no curto prazo, os fundos DI são os mais indicados, por ser as aplicações mais seguras, uma vez que acompanham a oscilação dos juros, por estar atrelados à variação do CDI (título trocado pelos bancos).
Se o dinheiro puder ser aplicado por prazos mais longos, os fundos de ações podem ser opção interessante, pois os especialistas entendem que as perspectivas para as Bolsas nos próximos meses são bastante positivas. Como a economia deve crescer mais no ano que vem e os juros reais (acima da inflação) devem cair, investir em renda variável pode ser alternativa para obter rentabilidade diferenciada. Mas é preciso ter apetite para o risco, pois esses fundos podem oscilar de maneira mais brusca no curto prazo.
O investidor tem de verificar ainda se o valor que vair receber é suficiente para aplicar num fundo de ações.





