Melhor defesa contra dividas é planejar
O aumento da inadimplência nos últimos dois meses do ano, quando o esperado era que os consumidores aproveitassem o pagamento do 13º salário para colocar as dívidas em dia, vem só evidenciar um problema que aflige grande parte dos brasileiros: a dificuldade de administrar as finanças pessoais e domésticas. De acordo com o Serasa Experian que pesquisa a inadimplência do consumidor, mais de 50% das famílias estão endividadas e a inadimplência cresceu 23,2% em 2010, comparada a 2009.
Em Londrina, em novembro e dezembro, o índice de inadimplência dobrou comparativamente, e o índice de pessoas que ''limparam seu nome'' caiu pela metade em relação ao mesmo período de 2009. Situação que, segundo o consultor financeiro, Euclides Nandes Correia, empresário da contabilidade e diretor financeiro do Sescap Londrina, só vai mudar quando as escolas incluírem entre suas disciplinas aulas de empreendedorismo e gerenciamento.
''As pessoas não estão preparadas para organizar suas finanças se tornando alvos fáceis da cultura do consumo desenfreado e do não planejamento'', alerta. Ele explica que, embora todo mundo já tenha ouvido falar e até saiba o básico da elaboração de um orçamento familiar, poucos conseguem colocá-lo em prática. ''O orçamento familiar é matemática simples, a dificuldade está no fator comportamental. É preciso modificar não apenas hábitos de consumo, mas também rever hábitos de vida'', complementa Nandes.
O primeiro passo para organizar a vida, explica, é relacionar todos os gastos fixos. Isto possibilita avaliar o custo do estilo de vida atual. Dividir por área também é importante para que fique mais fácil visualizar onde estão os maiores gastos e evidenciar quais são necessidade e quais são flexíveis ou supérfluos. As principais são moradia, saúde, educação e transporte. Paralelamente é preciso somar todos os ganhos que compõem a renda familiar, incluindo os salários do casal e, se for o caso, dos filhos que ajudam em casa.
Um dos segredos de uma boa administração doméstica é criar um espaço no orçamento para os gastos anuais. IPTU, IPVA, material escolar e outros custos que coincidem no início de cada ano costumam deixar todos apavorados. Euclides Correia esclarece que não existe mágica e o único jeito de encarar este tipo de custo é o provisionamento: some todos eles e divida por 12 para chegar ao valor mensal que deve ser reservado e guarde separadamente. No final do ano o valor de todos estes compromissos estará disponível possibilitando o pagamento à vista, sem estresse, e uma economia decorrente de eventuais descontos que podem e devem ser sempre negociados.
No final das contas - receita menos despesa -, o ideal é que haja sempre uma sobra e se isto não acontece está na hora de rever os gastos e dimensioná-los melhor. A sobra é o ponto de partida para a realização de metas e projetos como uma reforma, o carro novo ou a compra da casa própria. ''O mais importante é que ela representa uma segurança no caso de um imprevisto. Por isto é preciso ajustar os custos e ter muita determinação para não cair em tentação e acabar gastando a poupança fora do planejamento'', avisa Correia. As regras e dicas valem também para quem está endividado.
Fonte: Sindicato das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações, Pesquisas e Serviços Contábeis de Londrina (Sescap-Ldr)





