Dos cerca de 320 mil brasileiros de descendência japonesa que foram ao Japão para trabalhar, pelo menos 30 mil devem retornar ao Brasil por causa da crise econômica que está afetando todos os países. Nos últimos meses a economia do Japão encolheu quase 13%. E as demissões nas fábricas não param de acontecer.
  Sem trabalho, os dekasseguis estão retornando ao Brasil e provocando um grande impacto em algumas cidades. Assaí, norte do Paraná, é uma delas. Dos mais de mil e quinhentos dekasseguis da cidade que foram para o Japão em busca de uma vida melhor, 400 já voltaram e muitos outros já programaram a viagem de retorno.
  E uma das primeiras providências que muitos deles tomam ao chegar ao Brasil é procurar um contador buscando orientação para abrir um empreendimento. Segundo o presidente do Sescap-Ldr, Marcelo Odetto Esquiante, as empresas de contabilidade têm recebido um grande número de consultas. ‘‘O principal conselho que damos é ter um pouco de paciência para que ele não cometa erros de avaliação.’’
  Para quem tem pouco dinheiro para investir e está trabalhando no mercado informal, uma das opções será o Micro Empreendedor Individual (MEI) que começa a funcionar a partir do dia 1º de julho. Empreendedores com faturamento de até R$ 36 mil por ano poderão aderir ao novo sistema. São 360 atividades listadas pelo governo, entre elas serviços de marcenaria e carpintaria, filmagens de festas e eventos, costureiras, artesãos, professores de música e idiomas, cabeleireiros.
  ‘‘É uma forma de o candidato ser reinserido na economia, aprender os segredos do negócio e, quando o faturamento estiver maior, migrar para a micro ou pequena empresa, sem grandes riscos’’, comenta Esquiante. Uma das principais vantagens do MEI é que a abertura da empresa será feita gratuitamente pelas empresas de contabilidade. Todas as taxas – alvará, localização, bombeiros – são isentas.
  Segundo Sérgio Ozório, gestor do Projeto Dekassegui oferecido pelo Sebrae de Londrina, a maioria dos descendentes de japoneses que retornam ao Brasil quer abrir negócios no ramo alimentício. A procura pelo curso aumentou muito nos últimos meses. No início do ano eram 50 inscritos por mês. Agora o número saltou para cerca de 100 inscritos.
  Sérgio Ozório explica que o Projeto nasceu para apoiar os investidores dekasseguis no seu retorno ao país. ‘‘Nós atuamos desde a concepção da idéia do investimento. Aqui ele aprende o que é custo fixo, variável, formação de preço e outras noções de gerenciamento do negócio’’, comenta Ozório. Mas a melhor recomendação, reforça ele, é a paciência. ‘‘É preciso estudar com cuidado e critério onde será aplicado o investimento, para reduzir os riscos’’, disse Ozório.
  ‘‘Muitos dekasseguis querem investir, mas não sabem em quê. Por isso é importante descobrir em qual atividade eles têm mais conhecimento e se sentem mais confortáveis. Nós temos dado uma aula teórica sobre administração, impostos, como se formam os tributos e o Sebrae mostra isto na prática. Para quem quer investir, isso é essencial’’, comenta Esquiante.

  Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina – Sescap-LDr

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