Montreal - O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, voltou a garantir ontem que o Brasil não irá renovar o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que se expira no final deste ano, apesar das especulações crescentes no mercado de uma renovação do programa com o Fundo. ''Não há intenção de renovar o acordo com o FMI, na medida em que consideramos hoje que os fundamentos da economia brasileira estão muito sólidos'', disse Meirelles, que participou do Fórum Econômico Internacional das Américas, em Montreal, no Canadá, antes de viajar para Nova York.
Segundo ele, não se pode apenar olhar para o nível de reservas internacionais do País para concluir se o Brasil tem ou não condições de acabar com o programa com o FMI. ''O Brasil tem hoje um saldo comercial que é o maior da história e que está acontecendo ao mesmo tempo em que a economia está crescendo, o que também é inédito na história recente do País. Além disso, há um superávit de conta corrente, que também está crescendo. Então, temos aí um fluxo de caixa positivo à frente, o que é uma grande garantia externa. Ou seja, isso é mais importante até do que simplesmente o nível de reservas'', explicou Meirelles. Em relação às reservas, Meirelles lembrou que elas estão num ''patamar confortável''. ''Além do mais, a dívida interna está com um perfil mais sólido e a política fiscal, austera'', disse.
Ele também destacou a tendência positiva de outros indicadores externos, como os juros externos sobre as exportações e o total da dívida externa sobre as exportações. ''O Brasil tem sólidas condições para fazer uma saída gradual do acordo com o Fundo, que , aliás, tem todo um cronograma. Se não for renovado em dezembro, não acaba do dia para a noite. Se não for renovado em dezembro, o programa vai acabar até 2008, ou seja, é um cronograma bastante confortável'', disse. Em relação às captações externas do País, cujo programa original prevê ainda um lançamento de US$ 2,5 bilhões, o presidente do Banco Central não vê maiores obstáculos diante do eventual aumento dos juros nos Estados Unidos.
''O Brasil vai acessar os mercados apenas quando julgarmos adequado. Não há nenhuma necessidade de acessarmos os mercados se as condições não forem adequadas. Agora, o fato de os juros norte-americanos voltarem a patamares históricos não quer dizer que o mercado vai parar de funcionar'', disse Meirelles.
Ele afirmou que o leilão de troca de títulos cambiais de quarta-feira, quando houve uma rolagem de 33,2%, faz parte do processo normal da política de redução da parcela da dívida pública atrelada ao dólar. ''Nesse processo, tivemos rolagens bem maiores do que essa e também períodos de rolagem menor'', afirmou Meirelles. Ele disse que o leilão foi em linha com o compromisso do BC, anunciado em janeiro, de não adicionar volatilidade desnecessariamente ao mercado. ''O BC 'parametriza' suas ofertas baseado nas demandas do mercado. Foi baseado nisso que fizemos esse leilão.''

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