Meirelles quer manter a política econômica
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domingo, 25 de junho de 2006
Folhapress 
Basiléia, Suíça - A melhora dos indicadores econômicos do Brasil nos últimos anos não dá ao governo o direito de relaxar diante da crise vivida pelo mercado internacional, segundo o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Depois de uma série de encontros com banqueiros dos setores público e privado na Itália e na Suíça, ele reforçou sua defesa pela manutenção da atual política econômica e afirmou que afrouxá-la pode trazer prejuízos à economia.
Não temos margem para complacência. Significa que temos de dar continuidade a essa política econômica que vem sendo implantada nos últimos três anos e meio, disse. Qualquer visão ou tentativa de achar que o que o Brasil já fez de ajuste é suficiente e está na hora de relaxar -nesse momento em que os mercados internacionais estão mais nervosos e voláteis- pode ter conseqüências não desejáveis para o país.
As declarações do presidente do BC ocorrem num momento em que os economistas e analistas financeiros questionam muito o excesso de gastos do governo no ano eleitoral e a qualidade do ajuste fiscal.
Essa preocupação tem feito com que as autoridades do Brasil, entre elas o ministro Guido Mantega (Fazenda), reiterem seguidas vezes o compromisso com a meta de superávit primário, fixada em 4,25% do PIB para este ano. Com o lançamento oficial da candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição no final de semana e seu crescimento nas pesquisas de intenção de votos, aumenta a incerteza sobre a política fiscal num possível segundo mandato e, portanto, a pressão sobre a economia.
Por isso, segundo um banqueiro que participou das discussões com Meirelles, é importante o governo parar apenas de ressaltar o que já foi feito e dar sinais do que pretende fazer se estiver mais quatro anos no comando da economia. Indiretamente, o alerta de Meirelles, ontem na Suíça, acaba respondendo essa cobrança.


