Brasília Em pouco mais de meia hora, durante sua posse ontem, o novo presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse tudo o que a platéia queria ouvir e enfatizou o objetivo número um da sua gestão: ''trazer a inflação de volta à trajetória das metas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN)''. Mas deixou claro também que isso não se dará de forma instantânea e nem com artificialismos. ''Em todo mundo, é prática comum entre os bancos centrais diluir a convergência da inflação corrente às metas em um período mais longo que um ano'', disse, ressaltando que isso é ainda mais importante quando o aumento dos preços se dá por causa de um choque de custos, como foi o caso brasileiro.
Para o auditório repleto de banqueiros e políticos, esse discurso complementou o que já havia dito na semana passada o ministro da Fazenda, Antônio Palocci. Durante a transmissão de cargo na última quinta-feira, o ministro sinalizou que o governo conduzirá a política monetária para garantir a inflação dentro das ''metas já definidas pelo CMN''. A tradução para os banqueiros presentes foi que a meta deste ano não deverá mudar, apesar de o índice que serve de referência para o sistema de metas (IPCA) acumulado em 12 meses já estar próximo ao dobro do teto de 6,5% fixado para 2003. Em vez disso, o BC irá buscar a inflação desejada num período de tempo maior.
''O Banco Central perseguirá sem trégua a trajetória para a convergência da meta de inflação'', disse Meirelles, ressaltando, no entanto, que essa convergência poderá vir em um período mais longo que um ano. Ou seja, a meta pode não ser cumprida neste ano mas voltaria a ficar dentro do estipulado mais adiante. ''O BC vai manter o objetivo de manter a inflação baixa, mas em um prazo que não resulte em prejuízos para a sociedade.''
Meirelles também destacou que é preciso preservar a credibilidade do País afastando qualquer dúvida com relação a esse compromisso de inflação baixa. Ele destacou que, assim como o regime de metas contribui para que os choques econômicos seja administrados com o menor impacto possível, o regime de câmbio flutuante também tem se mostrado adequado nos momentos de maior turbulência.
Ele se comprometeu em dar continuidade aos mecanismos de transparência das ações do BC, como a divulgação da ata do Copom (Comitê de Política Monetária), das pesquisas e sondagens feitas no mercado financeiro e dos relatórios e estudos do BC. Segundo ele, a ''solidez do sistema financeiro será um desafio permanente do banco'.
Meirelles fez questão de enfatizar que estabilidade e crescimento devem estar juntos para que haja inclusão social, como definiu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ''A estabilidade não é um fim em si mesma, mas é necessária para o crescimento e inclusão social'', afirmou. ''Não existe dicotomia entre estabilidade de preços e crescimento.''
O novo presidente do BC reafirmou também o compromisso com os contratos internacionais e garantiu que ''não haverá aventuras' durante sua gestão. Ele afirmou que, como dirigente de uma instituição financeira internacional ele presidiu o BankBoston sua experiência o deixa ''confiante' nas medidas propostas inicialmente por Lula. ''O Brasil está no caminho certo.''

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