Brasília - Deverá ficar para o fim do mês o encaminhamento da carta aberta do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ao ministro da Fazenda, Antônio Palocci, explicando porque o Brasil não cumpriu - pelo terceiro ano consecutivo - a meta de inflação estipulada para 2003. Com uma agenda carregada - que inclui dois dias de reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na semana que vem e participação na reunião anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça - Meirelles, que retornou ontem ao Brasil depois de cinco dias de encontros com presidentes de bancos centrais e investidores na Suíça, deverá fazer a prestação de contas apenas após o retorno do encontro de Davos. Segundo a assessoria de Meirelles, o documento será divulgado ainda em janeiro.
Além de detalhar as causas do descumprimento e as providências que estão sendo tomadas para garantir o retorno da inflação aos limites estabelecidos pelo governo, Meirelles deverá justificar porque as simulações apresentadas inicialmente e que combinavam mais inflação com crescimento da economia não deram certo. Na carta aberta divulgada em janeiro do ano passado para justificar porque o Brasil não cumpriu a meta de 2002, Meirelles, que tinha acabado de assumir o cargo, argumentou que o BC abandonaria a meta oficial do ano de 4% e passaria a orientar a taxa de juros com base na meta ajustada de 8,5% para não exigir uma queda muito forte do nível de atividade.
Na prática, a estratégia do BC para combater os efeitos da crise de confiança vivida pelo Brasil em 2002 aceitaria ter um pouco mais de inflação no ano para que o País pudesse crescer em 2003. Na simulações que constam do documento assinado por Meirelles, se o BC buscasse cumprir a meta estipulada para o ano, haveria uma queda no Produto Interno Bruto (PIB) que poderia variar entre 1,6% e 7,3%. Enquanto isso, a inflação de 8,5% era compatível com um crescimento econômico de 2,8%. O IPCA foi até maior, 9,3%, mas a economia ficou estagnada. A projeção do próprio BC aponta aumento no PIB de apenas 0,3%, o pior índice da última década.

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