Brasília O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse ontem que a redução do risco Brasil é uma demonstração clara do sucesso da política econômica do governo Lula. ''O mundo está reconhecendo que o Brasil está dando os passos corretos'', complementou.
Meirelles afirmou ainda que o País está num ''circulo virtuoso' de crescimento e que a confiança é de que os índices do risco-país continuem em uma trajetória de queda ao mesmo tempo em que o crescimento seja sustentável.
O presidente do BC disse, durante sua palestra no seminário ''Produzir para Crescer', realizado na Câmara dos Deputados, que as causas estruturais que justificam a elevada taxa de risco soberano (dos papéis da dívida externa) do País são um dos entraves que ainda afastam o Brasil do ''pleno desenvolvimento''.
A eliminação dessas causas, segundo Meirelles, é uma condição essencial para que caia a percepção de risco da economia brasileira. Ele não detalhou, porém, que causas estruturais são essas.
Meirelles destacou ainda o reflexo direto que a taxa de risco-país tem sobre o custo de financiamentos para os investimentos e disse que a queda dessa taxa promove a redução desses custos.
''Existe uma correlação entre o risco soberano e a taxa de juros vigente em um país. Para reduzir a taxa de juro de forma consistente é preciso, entre outras medidas, que o risco-país caia'', disse Meirelles.
Empresas Apesar do apelo feito pelo presidente do BC ''é hora de investir para crescer'' ,o empresariado ainda não pretende tirar os projetos da gaveta, segundo o diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Júlio Sérgio Gomes de Almeida.
Segundo Almeida, a crise de demanda e o aumento de carga tributária dos últimos três anos comprometeram a poupança das empresas. ''Como no Brasil não temos um sistema de crédito de longo prazo nem um mercado de capitais fortalecido, o investimento produtivo depende de recursos próprios das empresas e estas, infelizmente, estão descapitalizadas'', explica.
A grande capacidade ociosa da maior parte do parque industrial, diz Almeida, é outro fator que deverá comprometer os investimentos da indústria no curto prazo.
Almeida defende reduções mais significativas dos juros. ''Como o crédito será a mola propulsora de 2004, o BC precisa acelerar a queda dos juros.'' Ele também sugere um ajuste no câmbio, saindo do atual nível de R$ 2,95 por dólar para algo entre R$ 3,20 e R$ 3,30.

mockup