Brasília - A turbulência nos mercados serviu para acentuar a diferença de estilos e das funções do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Enquanto o primeiro falou sobre a crise em praticamente todos os dias da semana, buscando passar uma mensagem de tranquilidade sobre o futuro da economia brasileira, Meirelles tem falado muito pouco, evitando avaliações em entrevistas coletivas e concedendo algumas poucas exclusivas.
Para o economista e ex-diretor do Banco Central, Carlos Thadeu de Freitas, as atitudes dos dois estão certas, de acordo com o papel de cada um. ''O ministro Mantega faz avaliações mais políticas sobre a economia, e ele está correto. Já o BC não tem que falar neste momento. Veja o caso americano, em que o BC (o Federal Reserve) não falou e agiu.''
Ele também considera que não é hora de o BC brasileiro intervir para reduzir a volatilidade no mercado de câmbio. ''Em maio de 2006, quando o mercado também piorou, e o dólar subiu rapidamente, o BC atuou na venda e acredito que foi errado. Quem quiser sair do Brasil nesses momentos tem que ser penalizado.''
Um economista de banco, que pediu para não ser identificado, critica tanto o BC como a Fazenda nessa crise e avalia que o governo não está conseguindo coordenar o mercado. Para a fonte, a autoridade monetária tem sido omissa e teria demorado para interromper as compras de dólares no mercado, ''mesmo com a volatilidade crescendo''. Na visão desse analista, o ministro Mantega tem falado em excesso e contribui para gerar ruído no mercado.
A economista-chefe do banco ABN Amro, Zeina Latif, também avalia que Mantega exagera nas manifestações. Mas, para ela, o maior problema é quando ele faz declarações relacionadas à política monetária, como na sexta-feira.
Na ocasião, participando de reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o ministro disse que, olhando a inflação, a taxa Selic poderia continuar caindo, mesmo com a turbulência internacional. Depois, abordado pelos jornalistas, ele desconversou e disse que o tema era atribuição do Banco Central.

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