Para Meirelles, fatores domésticos estão se sobrepondo às questões internacionais e isso tem ajudado na tendência do câmbio
Para Meirelles, fatores domésticos estão se sobrepondo às questões internacionais e isso tem ajudado na tendência do câmbio | Foto: Fotos: Fabrice Coffrini/AFP



Davos - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, defenderam nesta quarta-feira, 18, em Davos, na Suíça, o regime de câmbio flutuante no País. "Temos um regime de câmbio flutuante no Brasil", afirmou Goldfajn. "O câmbio flutuante é amortecedor e a primeira linha de defesa da economia", continuou.

O presidente do BC lembrou que, desde as eleições americanas, a moeda brasileira se depreciou e agora está em um processo de reversão. Ele citou também que a força do dólar vem da percepção de crescimento dos Estados Unidos, com a perspectiva de que o aumento da questão fiscal pode gerar um crescimento maior da economia.

Meirelles, por sua vez, disse que o regime de câmbio flutuante é o melhor para o Brasil. Ele comentou, porém, que os fatores domésticos estão se sobrepondo às questões internacionais e que isso tem ajudado na tendência do câmbio. "Estamos em uma situação específica hoje que (o câmbio) não nos preocupa", comentou.

Segundo Ilan, o início do aperto monetário nos EUA faz parte de um processo normal. Em dezembro de 2016, o Federal Reserve, o BC americano, aumentou depois de muita sinalização sua taxa de juros pela primeira vez e anunciou que mais três altas estavam previstas para este ano. "Este é um processo normal, deve ser gradual e isso é um bom sinal", avaliou.

Swap
Goldfajn disse que o BC tem usado leilões de swap cambial para manter a liquidez no mercado doméstico e citou que o nível das reservas internacionais é elevado. Já Meirelles enfatizou que o governo não vê uma fuga de capitais que o obrigue a usar as reservas para segurar a cotação do câmbio. Além disso, disse que o balanço de pagamentos doméstico "vai bem".

O ministro relatou ainda que, nos encontros durante o Fórum Econômico Mundial, as empresas dizem que vão investir "substancialmente mais" no Brasil.

Meirelles reforçou durante a coletiva em Davos que as revisões das projeções do governo para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2016 e 2017 vão ser apresentadas nos próximos 10 dias. A decisão ocorre após uma piora da previsão do FMI (Fundo Monetário Internacional) para o PIB, agora de apenas 0,2%.
"Vamos revisar em dez dias e analisar exatamente o que os indicadores que estão sugerindo para o crescimento em 2017", afirmou Meirelles a jornalistas no Fórum Econômico Mundial.
"Como tivemos uma forte recessão, vamos começar de um nível muito baixo, comparativamente aos 2% [anualizados, no final de 2017], anteriormente previstos", acrescentou. (Com Folhapress)

mockup