Brasília - O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, negou-se ontem, na Câmara dos Deputados, a comentar o valor registrado para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio. O índice ficou em 0,61%. Apesar de ser menor do que o valor de abril (0,97%), o IPCA superou um pouco as expectativas do mercado, de 0,50%.
Temendo que seu comentário pudesse adiantar uma tendência para a decisão dos juros básicos da economia, Meirelles disse apenas que o valor divulgado ontem será analisado na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. ''É prematuro comentar (o índice) agora'', disse.
Com o resultado do IPCA de maio, o índice acumulado no ano é de 6,80% e de 17,24% nos últimos 12 meses. A meta ajustada definida pelo governo é de uma inflação, ao final do ano, de 8,5%.
Mesmo com o IPCA acima das expectativas, uma redução dos juros pelo Copom não pode ser descartada já que o resultado do Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) de maio - deflação de 0,47% - indica espaço para a redução da taxa Selic, atualmente em 26,5% ao ano.
Alencar - Meirelles voltou a responder publicamente declarações feitas pelo vice-presidente da República, José Alencar. Na semana passada, o vice havia defendido que era necessário tomar decisões políticas na definição das taxas de juros.
''Nenhum Banco Central do mundo pode agir de forma política, qualquer que seja sua decisão'', afirmou Meirelles na Câmara dos Deputados. O presidente do BC disse que apenas na definição das metas de inflação e de crescimento da economia há espaço para discussões políticas. ''Aqui, na definição das metas, se situa o espaço da política'', afirmou.
Alencar, na semana passada, reafirmou que cabe ao governo, especificamente aos ''políticos', definir a ''filosofia' dos juros. As declarações do vice-presidente em favor da queda das taxas levaram o presidente Lula e o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, a se reunirem com Alencar, em dias diferentes, para esclarecer o assunto.
Ontem, apesar das declarações contrárias a Alencar, Meirelles negou-se a dizer que respondia às críticas do vice. Ele disse apenas que as afirmações serviam para ilustrar o debate na Câmara sobre a autonomia do BC.

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