Segundo ministro da Fazenda, Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico avaliou com "entusiasmo" entrada do Brasil no grupo
Segundo ministro da Fazenda, Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico avaliou com "entusiasmo" entrada do Brasil no grupo | Foto: Eric Piermont/AFP



Paris - A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que tem sede em Paris, vai abrir um escritório no Brasil. A informação foi divulgada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, após encontro com o secretário-geral da instituição, Angel Gurría. "A OCDE terá um escritório no Brasil. Estamos trabalhando nesse sentido. De fato, eles têm esse interesse e vamos formalizar isso rapidamente", disse o ministro a jornalistas.

Na semana passada, o Brasil pediu formalmente a sua integração como membro da entidade - atualmente é apenas "parceiro-chave". Essa tentativa de fazer parte do chamado "clube dos ricos" já foi vista em outros governos, mas na administração passada, o Brasil tentou manter algum distanciamento da entidade. "A ideia da OCDE é a de ser uma organização que congrega países mais relevantes do mundo e o Brasil é um deles", avaliou o ministro.

Segundo ele, a entidade pratica e demanda normas modernas de administração econômica, de gestão e de transparência, entre outros pontos. "Claramente o Brasil se enquadra (na OCDE)."

Agora que o pedido foi feito, o País precisa aguardar a resposta da instituição. Para ser formalizado, o Brasil precisa receber o aval dos 35 membros da Organização, além da União Europeia.

Há a expectativa de que a resposta venha mais rápido para o Brasil do que para outros países que também já formalizaram o pedido. "O que já estamos fazendo no Brasil é mais do que suficiente para o processo (de entrada na OCDE)", avaliou.

Meirelles não quis comemorar antes da resposta oficial a possibilidade de o Brasil ser aprovado e disse que não há uma data fixa para que a resposta seja dada pela OCDE. "O processo muitas vezes é longo", considerou. Questionado sobre se o Brasil furaria a fila de países que ainda aguardam o aval da entidade, ele disse: "Vamos ver, vamos aguardar."

Reformas
O ministro relatou que demonstrou a Gurría o processo de agenda de reformas importantes que está no Brasil e argumentou que a entrada na OCDE faz parte de uma agenda do País de abertura, de reformas, de modernização da economia, de adoção de padrões modernos de administração e normatização econômica. "Tudo o que OCDE propõe são coisas que já estamos aplicando no Brasil e que fazem parte da agenda de reformas."

Para o ministro, a reunião com Gurría foi "extremamente positiva". "O secretário-geral da OCDE expressou satisfação muito grande do movimento do Brasil de decidir iniciar o trabalho de entrada na OCDE e ressaltou muito a importância disso", contou. "O entusiasmo (com a decisão do País) já tinha sido recebido por diversos membros da OCDE: o fato de o Brasil já ter uma agenda de trabalho extensa e de longo prazo com a OCDE, o fato de ser uma democracia consolidada, um país que tem de fato um trabalho cada vez mais voltado para a abertura e consolidação institucional", continuou.

Ele explicou ainda que "neste momento" o Brasil não terá de fazer ajustes em suas leis para integrar o clube. "Gurría expressou a forte apoio a tudo isso que Brasil está fazendo. Inclusive, entregou um trabalho sobre a reforma da Previdência feita pela OCDE.", descreveu.

Ministro não tem pressa em reformas
Paris, França – O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta quinta-feira (8), em Paris, que não vê como um problema um possível atraso na aprovação das reformas da Previdência e trabalhista. Para ele, não haverá uma grande diferença se as reformas passarem apenas no segundo semestre deste ano, ao lembrar que essas medidas são de longo prazo.

"Não há dúvidas de que se for aprovada em junho, melhor. Se for aprovada na primeira quinzena de julho, antes do recesso, bom. Agora, vamos dizer que, por alguma razão, vote em agosto. Do ponto de vista iminentemente da produtividade do País, não serão 15 dias, 20 dias ou um mês que vão fazer uma diferença", afirmou Meirelles.

O Palácio do Planalto pretende levar a reforma previdenciária à votação no plenário da Câmara dos Deputados apenas depois da apresentação da denúncia contra o presidente Michel Temer pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

Como a reforma enfrenta resistência até na base aliada, a avaliação de assessores e auxiliares presidenciais é de que ela "mais atrapalharia do que ajudaria" neste momento e de que o esforço prioritário deve ser o de garantir a permanência do peemedebista no cargo.

"A [reforma da] Previdência subiu no telhado momentaneamente. Deve ficar para agosto. Até que poeira baixe, não dá para computar voto", disse o deputado Beto Mansur (PRB-SP), um dos principais aliados de Temer no Congresso.

Meirelles, no entanto, disse acreditar que há uma "possibilidade boa de haver votação ainda este mês". (Mário Camera/Folhapress)

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