Meirelles diz que desemprego chega a 14% neste ano
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 16 de maio de 2016
Folhapress 
Brasília Na reunião realizada pelo governo Temer com as centrais sindicais, uma conta apresentada pelo ministro Henrique Meirelles chamou a atenção de sindicalistas. O desemprego deve chegar a 14% este ano. Segundo a última pesquisa da PNAD Contínua, feita pelo IBGE, o desemprego é de 10,9%. Há um ano janeiro, fevereiro e março de 2015 o desemprego era de 7,9%.
Para Meirelles, o governo de Dilma Rousseff deu pouca atenção à questão do emprego. No início de seu mandato, a taxa de desocupação estava próxima de 5% - medida ainda pela Pesquisa Mensal de Emprego, que restringe o resultado às principais capitais do País.
No último domingo, em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, Meirelles havia dito que o desemprego ainda irá crescer antes que a situação atual seja revertida. "Imagine um ônibus que vem numa certa velocidade, porque estava acelerando, mas, de repente, resolve-se frear. Mesmo aplicando o freio, no caso do desemprego, o ônibus ainda anda um pouco até parar. Mas o importante é as pessoas sentirem que está diminuindo essa velocidade e que vai parar."
Uma das decisões tomadas pela reunião entre a cúpula do governo Temer com as centrais foi a criação de um grupo de trabalho para desenvolver propostas para reformas estruturais na previdência e trabalhista (leia mais na página 5 do primeiro caderno).
Armínio Fraga
O novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, é "pragmático e realista" ao sinalizar que pode elevar impostos. Mas, para o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, seria mais sábio centrar esforços em reformas (como a previdenciária e a trabalhista) e na desvinculação de receita para que o Brasil volte a crescer. "Eu, pessoalmente, não gosto da CPMF, acho que seria um aumento pequeno. O melhor seria focar na reforma da Previdência e [seguir] o caminho da desvinculação do orçamento", disse ontem, após café da manhã promovido pela Câmara de Comércio Brasil-EUA, no Harvard Club, em Nova York.
"Isso sim teria um impacto enorme, inclusive abrindo espaço para se criar governo mais eficiente. Aí é ganho-ganho, não ganho-perde." Fraga que recebe hoje, na Câmara de Comércio, o Prêmio de Personalidade do Ano se disse preocupado com o Plano Nacional da Educação aprovado pelo Congresso, que adicionará cinco pontos extras ao PIB (Produto Interno Bruto). "Creio que é um número absolutamente inviável. Não há CPMF que resolva isso."
Ele já havia criticado a proposta educacional minutos antes, a uma plateia de economistas e investidores. "Do ponto de vista orçamentário, isso é louco."
Afirmou esperar que centrais sindicais cedam e apoiem mudanças na legislação que mexam com questões trabalhistas - como impor idade mínima para aposentadoria. "Os sindicatos precisam olhar esses números com cuidado e pensar no futuro do País, nas próximas gerações, em seus filhos e netos. Espero que apoiem [as reformas], isso é muito sério."


