Buenos Aires - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, descartou nova revisão de medidas excepcionais adotadas pelo Brasil para enfrentar a crise financeira mundial, como a redução de compulsórios. ''Já fizemos modificações na questão do compulsório, diminuímos o valor de capital de bancos que era destinado a aplicações de direcionamento de compulsório, que era de R$ 7 bilhões, e hoje é de R$ 2,5 bilhões. Portanto, já foi tomada medida nesse sentido'', afirmou. Meirelles disse, no entanto, que o BC ''evidentemente, nunca anuncia medidas futuras, especialmente sobre compulsório, liquidez ou política monetária''.
O presidente do BC citou que ''outras medidas de entrada em ação na crise têm uma reversão automática. Um exemplo claro é a política de empréstimos das reservas, cujo saldo chegou a US$ 24,5 bilhões e hoje está em pouco mais de US$ 12 bilhões, exatamente porque houve uma queda na demanda''.
Ele também mencionou que ''outra medida foi a venda de dólares no mercado à vista, que hoje está totalmente revertida''. Segundo ele, ''o Brasil está comprando dólares, a posição nos mercados futuros também está revertida, o Banco Central está equilibrado nas suas posições em swaps cambiais''.
Meirelles fez questão de desarmar qualquer especulação em relação ao assunto. ''As medidas sobre isso já estão em andamento no Banco Central. Na área fiscal também existe um cronograma anunciado pelo Ministério da Fazenda, no qual está muito claramente definida a questão do IPI no caso dos automóveis'', afirmou. Portanto, continuou, ''é um programa natural em andamento, e não é, digamos, como em outros países, onde está se discutindo uma grande data para iniciar um programa''. Sobre o déficit fiscal do Brasil, Meirelles não quis fazer comentários, alegando que se trata de atribuições do Ministério da Fazenda.
Em relação às eleições de 2010, Meirelles repetiu em Buenos Aires que só vai anunciar uma decisão sobre eventual candidatura depois de março do ano que vem. ''Só tomarei uma decisão a partir de março. No momento, estou 100% dedicado ao Banco Central'', afirmou em entrevista aos jornalistas brasileiros em Buenos Aires.
Contas públicas
As contas da União, Estados e municípios registraram em setembro o pior resultado para o mês desde 2001, fechando o mês com deficit de R$ 5,76 bilhões. O BC informou que considera, para efeito de comparação, a série revisada a partir de 2001, que excluiu os resultados da Petrobras. Não fosse por isso, os resultados de setembro deste ano seriam os piores em 18 anos. Em agosto, o setor público havia registrado superavit de R$ 5,04 bilhões. Em setembro do ano passado, as contas haviam fechado com superavit de R$ 6,61 bilhões. Foi o primeiro deficit registrado em 2009.
Em setembro, o setor público pagou R$ 16,66 bilhões em juros. Descontado esse valor, as contas públicas registraram deficit nominal de R$ 22,42 bilhões no mês. Entre janeiro e setembro, a economia para pagar os juros da dívida o chamado superavit primário - foi de R$ 37,74 bilhões, o que corresponde a 1,70% do PIB (Produto Interno Bruto). Nos últimos 12 meses, o superavit corresponde a 1,17% do PIB. A meta para este ano é de 2,5%, mas o governo poderá abater até 0,94 ponto percentual do Programa de Aceleração do Crescimento e Programa Piloto de Investimentos.

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