Tóquio - O superávit primário do governo federal em abril, de 5,02% do Produto Interno Bruto (PIB), que superou as expectativas, terá efeito positivo sobre a política monetária, avalia o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles. ''Quanto maior o superávit primário melhor para a política monetária'', disse o presidente do BC ao desembarcar em Tóquio para se juntar à comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Entre os analistas de mercado, é cada vez maior a avaliação de que o governo vai buscar um superávit primário superior à meta de 4,25% do PIB para este ano, para reduzir parte do peso sobre os juros do controle inflacionário, tentando antecipar um eventual processo de relaxamento monetário.
Meirelles observou, no entanto, que é preciso considerar o tempo que um superávit mais elevado leva para influenciar positivamente a economia. ''Existe a questão da defasagem, isso é importante mencionar'', disse. ''A ação sobre a economia dos diversos tipos de instrumentos de política econômica, como a política monetária ou fiscal, tem defasagens diferentes, não são coisas que podem ser substituídas.''
Meta - Meirelles negou que o governo vá reavaliar a meta inflacionária para 2006, de 4,5%, uma reivindicação, entre outros, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). ''O debate sobre as metas é legítimo, a sociedade tem o direito de fazer isso'', afirmou. ''Mas as metas para 2005 e 2006 estão fixadas e, em junho, o CMN (Conselho Monetário Nacional) vai fixar a meta de 2007.''
Sobre a valorização do real e o temor de que possa afetar negativamente as exportações do País, Meirelles disse que o BC já manifestou ''com toda clareza'' que não tem meta de taxa de câmbio. ''O objetivo é a recomposição de reservas, o que está sendo cumprido com sucesso, pois elas estão num nível cada vez melhor.''
Meirelles evitou previsões sobre quando o Brasil poderá atingir o ''grau de investimento'' na classificação de risco. ''Mais importante que o grau de investimento em si é a antecipação que o mercado possa fazer do dele'', destacou. ''O importante é quando o mercado vê o grau de investimento no horizonte, a partir daí as coisas se ajustam positivamente.''

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