Curitiba - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, defendeu ontem em Curitiba, o controle das taxas de inflação. ''Inflação alta gera crise e recessão. Para que os países cresçam precisam ter inflação baixa e estável. O caminho para o Brasil crescer é manter uma política monetária consistente'', disse. Meirelles esteve ontem na Capital para a inauguração do novo edifício-sede da instituição. A obra custou R$ 21,5 milhões e demorou 11 anos para ser concluída em função de falta de recursos da União.
Ele preferiu não comentar decisões futuras do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) sobre a taxa básica de juros da economia, a Selic. ''Não anunciamos ou fazemos comentários sobre decisões futuras da taxa de juros'', afirmou. Meirelles fez questão de destacar que o importante é que o Brasil está dentro da meta de inflação para 2006 que tem como patamar mínimo 2,5% e máximo de 6,5%. O presidente do BC também disse não ter conhecimento de informações extra-oficiais que davam conta de que ele permaneceria no cargo no próximo mandado do governo Lula.
Ele ressaltou que as taxas de juros de médio e longo prazos têm caído no Brasil nos últimos anos. Para Meirelles isto é resultado da estabilização da economia brasileira. Isso também faz as taxas de juros caírem no longo prazo. ''O importante é que cada vez mais persistamos na estabilização do País'', disse.
Meirelles destacou que o BC não tem meta de câmbio mas de inflação que é o objetivo básico da instituição. ''Hoje as taxas de câmbio não são fixadas na maior parte dos países'', disse. Ele ressaltou que o Brasil está tendo exportações crescentes e um saldo comercial que é o maior da história.
Prédio - O novo prédio do Banco Central em Curitiba tem 14 mil metros quadrados de área construída e nove andares. Um dos objetos de ter uma sede própria é desonerar o orçamento fiscal da União do pagamento de despesas com aluguéis. O banco gastava R$ 85 mil por mês com aluguel e condomínio na Capital.
O local tem um auditório com capacidade para 250 pessoas (que ainda não está pronto), espaço cultural, Museu de Valores, biblioteca, salas de videoconferência, de treinamento e de reuniões em todos os andares. O prédio tem controle de acesso e sistemas especiais de segurança. A casa-forte tem área oito vezes maior e a estrutura de segurança foi revista depois do assalto ao BC de Fortaleza.
Segundo informações do Banco Central, o prédio começou a ser construído em 1995 pela empresa Guimarães e Castro. A Construtora Cesbe foi contratada para concluir a estrutura que tinha ficado pela metade e encerrou este trabalho em 1997. Entre 1997 e 2002, a obra ficou parada por falta de recursos do orçamento da União. Em 1998 foi lançada uma licitação para dar continuidade mas teve que ser suspensa devido à crise da Rússia que também afetou a economia brasileira. Em 2002, a Termoeste S/A Construções e Instalações retomou a construção e pretendia concluir o trabalho em dois anos, o que não foi possível novamente devido à falta de recursos da União.
A unidade de Curitiba vai atender o combate a ilícitos cambiais, a supervisão de consórcios e cooperativas, denúncias, consultas e reclamações por parte do público, troca de cédulas rasgadas ou em mau estado e orientar o Banco do Brasil na distribuição de dinheiro. Na Capital, o banco tem 173 funcionários próprios e 80 terceirizados.

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