Meirelles ataca Dilma ao valorizar ajuste fiscal
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de junho de 2016
Folhapress 
Brasília - O ministro Henrique Meirelles (Fazenda) afirmou ontem, durante a transmissão de cargo no Banco Central, que a política fiscal irá ajudar a instituição no combate à inflação. Em um discurso focado na questão fiscal, Meirelles fez ainda duras críticas ao governo da presidente afastada Dilma Rousseff, cujos problemas na área fiscal serviram de base para o processo de impeachment.
"Nos últimos anos vivemos a ilusão de que seria possível sempre gastar mais, transferindo a conta para o futuro. Esse futuro está chegando. E essa é a realidade que devemos confrontar o quanto antes", afirmou Meirelles. "Se nos últimos anos a política fiscal dificultou o combate à inflação, passará agora a fazer o oposto."
Meirelles disse ainda que o sucesso da política fiscal vai depender do Congresso Nacional, a quem cabe aprovar as medidas propostas pelo governo, entre elas, teto para limitar os gastos públicos, que deverá ser apresentada amanhã. Disse ainda que esse ajuste na área fiscal deverá perdurar "pelo tempo que se fizer necessário".
Segundo o ministro da Fazenda, a aprovação de medidas como esta abrirá espaço para a recuperação do crescimento e também para a queda dos juros. "Essas ações contribuirão para a redução do prêmio de risco, abrindo espaço para que o controle da inflação possa ser feito dentro de padrões mais próximos do que observamos em outras economias."
Meirelles defendeu ainda que o BC tenha autonomia técnica para tomar suas decisões. "Que as decisões sejam vistas como técnicas, sustentáveis, levando em conta aquilo que prevê modelos e avaliações dos agentes. E que a implementação seja feita dentro da estratégia mais adequada naquele momento. Acredito e tenho sido proponente e defensor desse regime."
Sob nova direção
O novo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou ontem que pretende trocar quatro diretores da instituição e ampliar o número de integrantes do Copom (Comitê de Política Monetária), órgão responsável pelas decisões sobre a taxa básica de juros, de oito para nove pessoas.
Os novos indicados são Carlos Viana de Carvalho, para a diretoria de Política Econômica, Reinaldo Le Grazie, para Política Monetária, Tiago Couto Berriel, para Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos, e Isaac Sidney Menezes Ferreira, atual procurador do BC, para a diretoria de Relacionamento Institucional e Cidadania.
Deixam o BC os atuais diretores Altamir Lopes, Tony Volpon e Aldo Mendes.
O servidor de carreira Luiz Edson Feltrim aceitou continuar como diretor de Administração, mas não irá mais acumular a área de Relacionamento Institucional e Cidadania. Os nomes dos quatro indicados ainda têm de ser enviados ao Congresso pelo presidente interino Michel Temer e precisam ser aprovados pelo Senado. Com as mudanças, o Copom volta a ter nove integrantes, o presidente do BC mais oito diretores.


