Rio de Janeiro - O Brasil está em rota de crescimento sustentado e o governo está trabalhando para que esse crescimento seja, não só durodouro, mas cada vez maior, afirmou ontem o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles. De acordo com ele, a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, de 3,5%, deve ser alcançada. Poderá até ser revista para cima, quando chegar o momento de o BC rever suas estimativas.
Meirelles demonstrou que as mais recentes taxas de crescimento trimestrais do PIB brasileiro são maiores que as dos Estados Unidos (EUA). Ele citou que, no quarto trimestre de 2003, o Brasil cresceu a uma taxa anualizada de 6% e no primeiro trimestre deste ano essa taxa anualizada foi ainda maior, de 6,5%. Nos EUA, afirmou, a taxa anualizada no quarto trimestre de 2003 foi de 4,1% e no primeiro trimestre de 2004, de 4,4%. Sem a anualização, a economia norte-americana cresceu 1,1% no primeiro trimestre deste ano sobre o quarto trimestre do ano passado e a brasileira, 1,6%.
Em palestra no seminário ''As remessas como um instrumento de desenvolvimento no Brasil'', promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o presidente do BC enfatizou que o Brasil está crescendo sem déficit nas transações correntes com o exterior (comerciais, de serviços e de transferências unilaterais como as remessas de brasileiros no exterior).
Do lado fiscal, destacou, o setor público está produzindo um superávit primário (economia feita nos gastos públicos para se pagar juros) ''grande e, mais importante, sustentado'', ou seja, que tem condições de ser mantido nos próximos anos.
De acordo com Meirelles, ''os fundamentos da economia brasileira estão mais sólidos para enfrentar movimentos de mudança de liquidez no mercado internacional'' como o previsível aumento das taxas de juros nos Estados Unidos.
O diretor de Política Monetária do BC, Luiz Augusto Oliveira Candiota, que deu palestra em evento promovido pela Câmara de Comércio França-Brasil no mesmo hotel em que Meirelles falava no evento do BID, também traçou um cenário promissor.
Candiota afirmou que o fluxo cambial do Brasil continua positivo ''e isso é o que importa''. Segundo ele, no mês de abril houve ingresso líquido no País de US$ 2 bilhões e, nos primeiros 15 dias de maio, um fluxo positivo de US$ 1,6 bilhão.

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