Meio século de transformação
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de agosto de 2011
Aline Vilalva <br> Reportagem Local 
Nos últimos 50 anos, o Brasil viveu uma intensa transformação de sua estrutura social. Uma das mudanças importantes apontadas no comunicado sobre mudanças na renda e estrutura ocupacional brasileira divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) foi o crescimento do setor terciário (serviços) e queda dos setores primário (agropecuária) e secundário (indústria e construção civil). No Paraná, segundo o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), o processo se repete.
De acordo com Julio Suzuki, diretor do Ipardes, até 1970 a agropecuária detinha a maior participação na economia paranaense. Nos últimos 30 anos, no entanto, a exemplo do restante do País, o setor terciário começou a crescer e hoje é responsável por aproximadamente 60% da economia estadual. Para ele, a mecanização da agropecuária e modernização da indústria são fatores que influenciam, pois a mão de obra migra para outros setores. ''A produção da indústria se mantém ascendente, mas o emprego cai neste setor'', observa.
De acordo com o Comunicado do Ipea, o principal traço das mudanças sociais observadas até a década de 1980 foi o vigor da aceleração da produção industrial no País. Simultaneamente à expansão da produção secundária da economia, ocorreu a perda relativa de importância do setor primário. Entre 1960 e 1980, o peso do setor secundário passou de 20,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para 38,6%. A participação do setor primário, por sua vez, reduziu de 29,4% para 10,7% do PIB. No mesmo período, o setor terciário manteve-se estável, com participação de pouco mais de 50% do PIB.
No início do século XXI, no entanto, a situação é invertida e somente o setor terciário passa a registrar aumento em relação ao PIB. Entre 1980 e 2008, o setor cresceu seu peso relativo em 30,6% e atualmente responde por dois terços de toda a produção nacional, enquanto os setores primários e secundários perderam, respectivamente, 44,9% e 27,7%.
O setor terciário começa a crescer significativamente na década de 2000 e passa a gerar 2,3 vezes mais empregos que o setor secundário. No primário, a diminuição dos postos de trabalho no primeiro decênio deste século chega a ser nove vezes maior ao verificado na década de 1970, segundo o Ipea.
A economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Lenina Formagi, explica que na década de 1970 a indústria se destacou impulsionada pelo Estado e associada ao Milagre Econômico, que impulsionou a economia de uma forma geral. ''Estamos vendo um crescimento muito acelerado parecido com o do período da Ditadura'', afirma.
Ao longo destas décadas, o esforço da industrialização nacional manifestou-se sempre acompanhado do aumento das desigualdades. Nos últimos 10 anos, no entanto, houve redução das desigualdades no interior da distribuição da renda do trabalho que, pela primeira vez, acompanhou a elevação da renda per capita dos brasileiros.
Segundo o documento do Ipea, desde 2004, no entanto, é registrada uma expansão média anual da renda per capita dos brasileiros em 3,3%, com melhora no índice da situação geral do trabalho ao ritmo de 5,5% ao ano, em média. Neste período, o grau de desigualdade da distribuição pessoal da renda do trabalho foi reduzido em 10,7%. A economista credita esta alteração à política de valorização do salário mínimo, iniciada no Governo Lula.


