Meio ponto a mais de juros não afeta crescimento, afirma Dirceu
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quarta-feira, 08 de setembro de 2004
Jacqueline Farid<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - Uma elevação de 0,5 ponto porcentual na taxa básica de juros (Selic) não reverteria a trajetória de crescimento da economia, afirmou ontem o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. ''Não acredito que baixar 0,5 ou elevar 0,5 (ponto na taxa dos juros) possa trazer reversão do crescimento'', disse. No entanto, ele admitiu que será preciso persistir no processo ''lento, gradual e seguro'' de queda dos juros para elevar a taxa de investimento do País para 24% a 25% do Produto Interno Bruto (PIB) ao ano.
Em 2003, a taxa de investimento (parcela alcançada pelo investimento dentro da formação do PIB) não ultrapassou 18%. Dirceu não estabeleceu um prazo ideal para a elevação dessa taxa, mas disse que a prioridade do governo é o desenvolvimento nacional, com investimentos públicos em segmentos como saúde, educação e infra-estrutura. ''Independente das questões de conjuntura e de pressões inflacionárias, a prioridade do governo é que o País aumente também o nível de investimento público'', declarou, em palestra para empresários na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). Para ele, ''o Brasil vive um momento especial de crescimento econômico que deve e vai ganhar sustentabilidade''.
Ainda na palestra, o ministro ressaltou que o Brasil tem hoje quatro grandes desafios: resolução dos problemas de infra-estrutura; elevação da escolaridade média da população; garantia de desenvolvimento tecnológico que assegure autonomia e independência à economia; e um sistema bancário privado e público que sustente a demanda de investimento, que, segundo ele, já é real no País. ''O Brasil tem fome de crédito'', afirmou.
Dirceu citou a necessidade de compatibilizar os atuais juros reais (taxa Selic menos inflação projetada para 12 meses, medida pelo IPCA) com a necessidade de investimentos do governo como ''um dos imensos desafios'' do País. ''O desafio é grande, em um País com juros reais de 10,5%, que precisa renegociar uma dívida líquida de quase R$ 800 bilhões e, para isso, necessita da poupança de todos nós''. Segundo Dirceu, ''precisamos compatibilizar esses juros com investimentos do governo federal que cheguem a 3% (do PIB), e hoje não chegam a 1%''.
O ministro ressaltou também a necessidade de criação de empregos - ''precisamos criar empregos, criar empregos e criar empregos'' -, acrescentando que o grande esforço do governo hoje é fazer o País enxergar ''para além da política monetária, que é necessária, e da política fiscal, que é indispensável'', visando a uma ''política de desenvolvimento nacional''. ''Queremos garantir que o Brasil tenha a partir de agora uma obsessão na rota do desenvolvimento'', disse.


