Curitiba - O Ministério do Meio Ambiente considera um retrocesso reduzir ou acabar com o percentual de 20% de reservas legais nas propriedades, como prevê o Código Ambiental, que ainda será regulamentado nos estados no mês de outubro. De acordo com o diretor do Departamento de Conservação da Biodiversidade, Braulio de Souza Dias, a negociação ''mais dura'' é travada com o setor agrícola que deseja revisar a composição das Áreas de Preservação Permanente (APPs) e das Reservas Legais.
''Seria um tiro no pé, do ponto de vista ambiental, diminuir essas áreas. Estamos dispostos a discutir com os setores e fazer ajustes no Código. Mas, em princípio, somos contrários à redução das reservas legais'', informou.
Segundo Dias, o objetivo dessas áreas não se resume à preservação ambiental, mas evitar que se esgotem os estoques e ofertas de produtos florestais. ''A região de Londrina é uma das mais devastadas do país. Londrina compra madeira da Amazônia, porque lá não tem mais. Para evitar a escassez de produtos florestais é fundamental a manutenção dessas áreas, que podem ser utilizadas para manejo. Veja o que aconteceu em Santa Catarina, diante de desastres ambientais o estrago foi maior devido à devastação da mata ciliar ao longo dos rios'', reforça.
Durante o evento de lançamento do certificado internacional LIFE, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que ''não precisa desmatar mais nada para aumentar a produtividade''. ''Em dez anos, a produção agrícola dobrou no país, enquanto que a área de cultivo cresceu apenas 10%. Isso demonstra que não existe ligação direta entre a necessidade de mais áreas de cultivo para ampliar a produção'', explicou o ministro. Ele afirmou que existe um diálogo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário para agregar valor à agricultura familiar, sistema que beneficia a biodiversidade, ao contrário da monocultura.
Minc também antecipou que dentro de duas semanas o governo federal vai anunciar o resultado de cinco projetos que pagam pelos serviços ambientais que refazem os corredores da biodiversidade na Amazônia, como a recuperação da mata ciliar.

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