Meio ambiente limita a expansão
O grande entrave para a expansão de geração de energia das usinas hidrelétricas é a questão ambiental. Essa é a opinião do diretor de Operação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Carlos Ribeiro. Para ele, há uma indústria de embargos promovida por ecologistas e governantes municipais que atrasam a construção de usinas.
Ribeiro esteve ontem em Curitiba para participar do seminário Oportunidades e Negócios em Hidrelétricas, organizado pela Companhia Paranaense de Energia (Copel). Ele disse que os investidores ficam temerosos quando o assunto é a instalação de hidrelétricas porque normalmente as obras são atrasadas por entraves jurídicos. Mesmo com a permissão ambiental para a instalação há uma série de embargos que provocam incerteza com o que vai acontecer, é uma verdadeira indústria de embargos. A obra começa e não se sabe quando vai acabar, criticou.
Para o diretor do ONS, é necessário o trabalho dos ecologistas, porém há aqueles que se aproveitam da situação sem embasamento. Os prefeitos dos locais onde vão ser construídas usinas também prejudicam, querendo esgotar possibilidades que muitas vezes não existem, analisou.
Como solução para esse entrave, Ribeiro defendeu que seja feito o Relatório do Impacto sobre o Meio Ambiente (Rima), que já é adotado atualmente, porém sem a possibilidade de haver embargos posteriores. Estuda-se bem os aspectos, coloca-os no Rima e depois cumpre-se o que ele diz e pronto, argumentou, acrescentando que é preciso dar mais agilidade à legislação ambiental.
A falta de uma tributação específica sobre o setor e a dificuldade de captação de recursos são outros pontos que Ribeiro apontou para facilitar os investimentos na construção de usinas. Porém ele ressaltou que é preciso construir termelétricas. Hidrelétricas são a vocação natural do Brasil, mas não podemos ficar dependendo de condições climáticas para termos energia, avaliou.
Ribeiro também comentou sobre a possibilidade do País adotar o horário de verão em setembro, um mês antes do usual. Ele disse que essa decisão não cabe ao ONS, e sim ao Ministério de Minas e Energia, mas confirmou que estão sendo feito estudos sobre o assunto. Realmente isso poderia causar uma redução no consumo de energia na ponta de carga do sistema, mas é preciso ver os prós e os contras antes, afirmou.





