São Paulo - Três meganegócios devem agitar o setor elétrico brasileiro no primeiro semestre do ano e movimentar cifras superiores a R$ 35 bilhões. Em jogo estão os controles da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), da Brasiliana (dona da Eletropaulo e da AES Tietê) e da segunda usina do Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira, Jirau.
Os negócios podem mudar a cara do setor, que passaria a contar com novos grupos na liderança da distribuição e geração de energia. Quem comprar a Cesp, por exemplo, levará a terceira maior produtora de eletricidade do País. No caso da Brasiliana, que detém o controle da Eletropaulo, levará a maior distribuidora da América Latina. Além disso, quem arrematar Jirau terá em mãos o maior empreendimento em construção na área de geração, com 3.300 megawatts (MW).
A expectativa do mercado é de que a geradora do Estado de São Paulo seja a primeira a ser vendida, possivelmente em março. O preço inicial deve ficar em R$ 45 por ação, o que significaria R$ 14 bilhões pela companhia. Mas, segundo fontes, o preço unitário poderia chegar a R$ 60, elevando o total para mais de R$ 20 bilhões.
A empresa, com potência instalada de 7,5 mil megawatts (MW), já entrou em processo de privatização por três vezes e não conseguiu ser vendida. Na primeira oportunidade, em novembro de 2000, ninguém deu lance para arrematar a estatal. Em maio de 2001, houve nova tentativa de privatização, mas o leilão foi suspenso por causa do racionamento de energia. Desta vez, no entanto, especialistas garantem que tudo será diferente.
Primeiro, porque a liquidez internacional continua em alta, incentivando os investidores a buscar novos negócios no mundo. Segundo, porque o estreitamento entre oferta e demanda de energia, sem racionamento, tende a elevar o custo da eletricidade, o que aumenta a receita das empresas. Isso sem contar que não há geradoras em operação à venda no País.
''A Cesp é uma empresa que todo mundo quer. Sua dívida está bem reestruturada e sua geração de caixa está em torno de R$ 1,2 bilhão'', afirma o gerente da Prosper Corretora, André Segadilha. Além disso, observa, a empresa atua num dos melhores mercados do País, que é São Paulo, e tem uma participação expressiva de consumidores livres (que compram diretamente da geradora) em sua carteira, da ordem de 30% das receitas.
De acordo com analistas de mercado, o apetite dos investidores pela geradora é grande. Há uma lista enorme de potenciais compradores, como Iberdrola, Neoenergia, Suez, CPFL, Light, Enel, Energia do Brasil e Pátria Investimentos, além de fundos estrangeiros.
O anúncio de venda da empresa, feita pelo governo no fim do mês passado, só não agradou ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A instituição já havia adiado a venda de sua participação na Brasiliana para não prejudicar a competição no leilão da Hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira. Agora, segundo fontes, deve aguardar o leilão de Jirau, previsto para maio. A expectativa anterior era de que o processo de venda da empresa fosse concluído ainda neste mês.
A Brasiliana surgiu em 2003, com a renegociação de dívidas do Grupo AES com o BNDES. Na reestruturação, a empresa passou a deter o controle acionário direto e indireto da AES Tietê, Eletropaulo e Uruguaiana. No ano passado, o banco de fomento decidiu vender sua participação.
De acordo com o contrato, o BNDES fará um leilão com os investidores interessados. Com base no resultado, a AES terá 30 dias para exercer o direito de compra das ações do banco pelo preço oferecido pelo vencedor do leilão. Se não levar, terá de vender toda sua parte e deixar o País. O preço da empresa está calculado entre
R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões.

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