Mégane, da Renault, será 50% brasileiro
Mégane, da Renault, será 50% brasileiro
Montadora francesa vai fazer os primeiros testes de produção em agosto para iniciar operações em dezembro
Carmem Murara
Mauro FrassonInspeçãoLuc Ménard, diretor da Renault no Mercosul, que vistoriou ontem a rede de fornecedores
A fábrica da Renault em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) iniciará em dezembro a produção dos carros Mégane Scénic para o mercado consumidor com um índice de nacionalização que chegará a 50%. Os demais componentes serão importados das fábricas da França e da Argentina, até que todas as fornecedoras estejam aptas a abastecer a montadora. A estimativa da direção da Renault do Brasil é que 80% das fornecedoras estejam prontas para a produção quando a montadora entrar em atividade. Os testes de produção começam em agosto.
Para verificar como está o cronograma de instalação das fornecedoras e o processo de qualidade de cada uma, alguns diretores da Renault no Brasil e Mercosul estiveram ontem em Curitiba. Eles se reuniram na sede do Sebrae com as 46 fornecedoras diretas, que fazem parte do grupo que acompanha a Renault em todos os países onde a montadora vai se instalar. Vinte fornecedoras estão localizadas na Região Metropolitana de Curitiba, sendo que todas são multinacionais. Os investimentos das 46 totalizam R$ 320 milhões, que se somam aos R$ 750 milhões iniciais da Renault.
Quatro das empresas estão instaladas dentro do parque fabril em São José dos Pinhais. São as empresas Bertrand Faure (bancos), Ecia (coluna de direção e escapamento), Sommer Alibert Siemens (painéis e portas) e Vallourec (eixos dianteiros e traseiros, rodas e pneus).
Como a produção dos carros é just in time, as fornecedoras e montadora precisam estar interligadas. A preocupação principal é sincronizar a nossa produção industrial com a dos fornecedores, afirmou o diretor geral da Renault no Mercosul, Luc Alexandre Ménard. Ele disse que nos casos onde há atraso da instalação das fornecedoras, a Renault importará os produtos, atingindo um índice de nacionalização de 78% no final de 1999. Ménard ressaltou que não há um carro 100% nacional, nem mesmo na França, onde está a sede da montadora.
Quanto mais rápido conseguirem utilizar os componentes fabricados no País para os carros, mais a Renault terá lucratividade. A importação muitas vezes representa uma taxa muito alta de impostos, afirmou o responsável pela Renault do Brasil, Pierre Poupel. A meta da Renault é conseguir equiparar o preço dos carros brasileiros com os fabricados na Europa. O objetivo aqui é ter preço igual, pois temos uma mão-de-obra mais barata, disse o diretor de Compras, Andreas Gabriel. A diferença nos valores, normalmente, se dá pela inclusão dos impostos, que variam de um país para outro. A produção da Renault neste ano será de 500 carros. Em 99, serão produzidas 30 mil unidades, sendo que a meta é chegar aos 144 mil carros ao ano quando a fábrica estiver com capacidade total.





