Megainvestidor diz que Brasil está preparado
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sábado, 16 de fevereiro de 2008
Leandro Modé<br> Agência Estado 
São Paulo - A importância do megainvestidor Mark Mobius pode ser medida, além dos bilhões de dólares pelos quais é responsável, pelo sentido dos vários apelidos que tem: guru dos mercados emergentes, flautista dos mercados emergentes (em referência ao Flautista de Hamelin) e águia careca, entre outros. Grande parte da fama desse americano de 71 anos deve-se ao fato de ele ter sido gestor do primeiro fundo de ações de mercados emergentes aberto nos Estados Unidos, duas décadas atrás.
Mobius é diretor-gerente da Templeton Asset Management, empresa localizada na Califórnia, que tem sob sua guarda US$ 605 bilhões. Ele responde pela gestão de aproximadamente US$ 35 bilhões de fundos que apostam em mercados emergentes. Estima-se que 30% disso esteja aplicado em ações brasileiras. Por causa desse montante, alguns analistas consideram Mobius o maior investidor estrangeiro na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
A Bolsa não confirma, pois os nomes dos investidores, sejam pessoas físicas ou jurídicas, são mantidos sob sigilo. Independentemente disso, é inegável que Mobius é uma voz respeitada no mundo das finanças globais e serve de referência para muitos investidores ao redor do planeta.
Em uma troca de e-mails com a reportagem, o megainvestidor comentou a atual situação do Brasil e as perspectivas para a economia global à luz da forte desaceleração - e talvez recessão - nos Estados Unidos.
Posição brasileira- ''O Brasil está muito mais resiliente (elástico) para resistir aos impactos de uma crise. Em primeiro lugar, as reservas internacionais do País cresceram enormemente e já estão na casa dos US$ 180 bilhões. O segundo ponto é que o Brasil tem um forte superávit comercial - no ano passado, ficou perto de US$ 40 bilhões.
Em terceiro lugar, o governo exibiu um surpreendente grau de responsabilidade fiscal ao fazer superávits primários. Em quarto, o governo manteve a confiança ao permitir a flutuação da taxa de câmbio. Por fim, o Banco Central tem sido conservador ao perseguir uma política de baixa inflação.''
Crise nos EUA- ''A recente turbulência nos Estados Unidos certamente terá impacto em toda a economia global por causa do grande poder de consumo dos americanos. Contudo, a situação não é terrível como há 10 ou 20 anos, quando a economia americana tinha um pedaço muito maior da economia global'', diz.


