Megafusão pode decretar o fim da 'guerra dos bares'
BRAHMA E ANTARCTICA
Megafusão pode
decretar o fim da
guerra dos bares
Ruth Meira
com agências
Tradicionais arquirivais, Brahma e Antarctica surpreenderam o mercado brasileiro e internacional na quinta-feira, quando anunciaram a megafusão das companhias. Juntas, a número um e a melhor do Brasil acabam de criar a terceira maior cervejaria do mundo, uma multinacional verde-amarela com ativos de mais de R$ 8 bilhões.
Mas o maior negócio já realizado no País não pega de surpresa só operadores do mercado financeiro - as ações de ambas as companhias dispararam na sexta-feira na Bolsa de São Paulo - ou as fabricantes concorrentes, que já se preocupam com o controle do mercado nas mãos da novata gigante - que se chamará AmBev (Companhia de Bebidas das Américas). Decreta, também, o fim de uma antiga rivalidade entre apreciadores de cerveja que se dividiam, orgulhosamente, entre brahmeiros e antartiqueiros.
Se a associação vai encerrar a briga centenária nos bares brasileiros, só se saberá mais tarde. É que, se as companhias vão unir as fábricas que têm em 18 Estados do Brasil (além de indústrias no Uruguai, Argentina e Venezuela), nem passa pela cabeça dos seus diretores a idéia de extinguir as duas marcas que duelam ostensivamente na mídia pela preferência do consumidor. Brahma e Antarctica vão continuar existindo como produtos independentes, pelo menos aos olhos do mercado. As operações de distribuição também continuarão sendo administradas separadamente, não cansaram de repetir os diretores Marcel Telles e Victorio de Marchi, da Brahma e Antarctica, na sexta-feira, quando oficializaram o casamento.
O setor produtivo será unificado até a porta da fábrica, disse Marchi, explicando que a partir da rede distribuidora - são 800 pontos - tudo fica como sempre foi. O recado, de que a briga continua, é curto e grosso para os publicitários, que ficaram alvoroçados com a reviravolta em um dos mais rentáveis setores da propaganda brasileira.
Mais difícil vai ser convencer os apreciadores da bebida que a tradicional disputa não fica obsoleta com a união das empresas. Em vendas, as duas brincam de corrida há duas décadas, se encontram em alguns momentos e, em outros, passam à frente uma da outra. Resta saber se a parceria das arquiinimigas, agora, vai encerrar a guerra histórica.





