Megaempresas concentram 45,8% dos empregos no País
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terça-feira, 20 de fevereiro de 2001
Agência Estado Do Rio de Janeiro 
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) traduziu em números a concentração que marca o setor empresarial no País: apenas 0,14% das 3,6 milhões de empresas formais empregam mais de 500 trabalhadores. A pequena participação desses 5.042 negócios no universo total de empresas é inversamente proporcional à sua importância para a economia, já que elas respondem por 45,8% do total de empregados e por 62,3% dos salários pagos no Brasil. Os dados são relativos a 1998 e compõem o Cadastro Central de Empresas do IBGE.
A concentração não surpreende, mas deve ser avaliada com cuidado, segundo o economista da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Luiz Roberto Cunha. Ele explica que a economia do País é muito concentrada nas grandes empresas. Os processos de fusões, aquisições e privatizações dos últimos anos têm elevado essa concentração. Se, por um lado, isso gera ganhos de eficiência, por outro qualquer movimento dessas empresas gera fortes impactos, especialmente no emprego, afirma.
Cunha lembra que esse fenômeno é um padrão mundial e está relacionado à abertura econômica e ao processo de globalização. O que não deve evitar, segundo a sua avaliação, que o governo disponha de mecanismos de preservação das micro e pequenas empresas, para evitar uma dependência econômica excessiva dos grandes negócios.
No que diz respeito às empresas de pequeno porte, o cadastro do IBGE revela que 81,4% dos negócios formais do País empregam até quatro pessoas, respondendo apenas por 4,4% dos empregos e 2,3% dos salários.
As estatísticas parecem demolir a crença de que são as micro e pequenas empresas as principais geradoras de emprego no País. Mas a coordenadora do Programa de Modernização de Estatísticas do órgão, Magdalena Cronemberger, lembra que o cadastro contabiliza apenas o emprego formal e é justamente nas empresas de menor porte que estão os maiores índices de informalidade.
As pequenas empresas também são as que mais abrem as portas no País, para fechá-las pouco tempo depois. A chefe da Divisão de Cadastro e Classificação do IBGE, Maria Luiza Zacharias, diz que entre 1998 e 1999 foram abertas 700 mil empresas no Brasil, enquanto 400 mil foram fechadas no mesmo período. Segundo ela, mais de 90% das novas empresas têm até 20 empregados, enquanto cerca de 90% das empresas que fecham as portas também são de pequeno porte.
São PauloA concentração é um fenômeno que não está relacionado apenas às empresas, mas também à sua distribuição no País. O estado de São Paulo reúne nada menos que 30,28% do total de empresas formais do Brasil, seguido de longe por Minas Gerais (12,07%). A região Sudeste detém 52,14% das empresas.
Mas essa realidade está sendo lentamente transformada. O cadastro do IBGE revela a redução do ritmo de abertura de negócios no Sudeste, enquanto cresce o número de novas empresas no Norte e Nordeste. Segundo o órgão, entre 1996 e 1998 houve aumento de 25% no número de novas empresas no Norte e de 18,9% no Nordeste. Por outro lado, o crescimento foi de apenas 8,7% no Sudeste nesse período.
Maria Luiza afirma que esses dados demonstram uma descentralização produtiva no País, com a saída de empresas dos grandes centros para regiões menos industrializadas. Segundo ela, a tendência apontada por esses dados ainda permanece, mesmo que as estatísticas do cadastro sejam referentes a 1998.


