Megaempresa detém trunfo competitivo
Peter Marsh
Do Financial Times
Como um conglomerado industrial pode aproveitar suas diferentes atividades para ganhar o máximo possível de valor, criando uma plataforma para seu crescimento?
Para muitas grandes empresas, que enxugaram suas atividades para concentrar-se em menos setores, a pergunta não é pertinente. Mas ela é fundamental para entender a expansão da norte-americana General Electric (GE).
Muitos analistas consideram a GE a mais bem-sucedida empresa do final do século 20. Em termos de valor de mercado, é uma das maiores do mundo e abrange uma larga gama de divisões industriais e de serviços.
A empresa tem figurado no noticiário recente em função da discussão sobre a sucessão do presidente de seu conselho de direção, Jack Welch, arquiteto do crescimento mais recente da GE, que vai deixar o cargo em 2001, após 20 anos.
Mas algo que não atrai tanta atenção é o notável crescimento que a GE vem apresentando na Europa.
Entre 1987 e 1998, as vendas anuais européias da GE subiram de US$ 3 bilhões para US$ 25 bilhões, enquanto o número de funcionários que ela tem na Europa se multiplicou por dez, chegando a 90 mil.
O crescimento das vendas na Europa supera o de suas vendas globais, que, durante o mesmo período, subiram de US$ 37 bilhões para US$ 100 bilhões. Parte desse crescimento na Europa decorre de aquisições feitas pela empresa e também de esforços para difundir internamente os negócios e a produção de seu capital humano.
A pessoa que supervisionou a expansão européia da GE durante boa parte deste ano foi Larry Johnston, que está há 27 anos na empresa e até meados de novembro presidia seu conselho executivo europeu. Johnston deixou o cargo para assumir a direção da divisão mundial de eletrodomésticos da GE, campo no qual ela ocupa o quarto lugar mundial.
Pouco antes do anúncio de sua transferência de cargo, Johnston declarou que estava decidido a aumentar os negócios da GE na Europa.
Um conglomerado perde seu sentido se as dimensões e a diversidade do grupo não forem aproveitadas.
Essa tem sido a estratégia gerencial da GE. Na empresa, uma divisão ajuda outra a alavancar negócios com seus antigos clientes, vendendo produtos ou serviços novos.
É o uso da rede de relações que, aos poucos, constrói negócios.
Tradução de Clara Allain





