Medo do desemprego cresce 5,4% no País
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sexta-feira, 03 de julho de 2015
Andréa Bertoldi<br> Reportagem Local 
O brasileiro estava mais temeroso em relação ao desemprego no segundo trimestre do ano, mas ligeiramente mais satisfeito com a vida. Segundo pesquisa divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Índice de Medo do Desemprego aumentou 5,4% em junho, na comparação com março, alcançando 104,1 pontos. É o maior nível alcançado desde setembro de 1999. De dezembro até o mês passado, o medo do desemprego cresceu 32,1%. Em relação a junho do ano passado, o indicador aumentou 36,8%.
A pesquisa apontou que o maior nível de medo do desemprego foi registrado na região Sul com 108,5 pontos. No entanto, foi no Sudeste que o índice cresceu mais em percentual em junho na comparação com março (6,69%). No Sul, o crescimento foi de 3,23%.
O levantamento da CNI também mostrou que o medo do desemprego é maior entre os homens e no grupo de pessoas com mais de 55 anos. Esse temor está mais presente em trabalhadores que possuem renda familiar superior a dez salários mínimos e com grau de instrução superior.
O gerente-executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca, acredita que o medo do desemprego é maior no Sul e no Sudeste porque estas duas regiões têm a economia muito baseada na indústria. Já o economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, acredita que o medo é significativo no Sul porque as pessoas são mais conservadoras nesta região. "Se existe um pequeno risco, para o Sul já é um grande risco", explicou.
Fonseca acredita que o medo do desemprego chegou ao nível mais alto desde 1999 com o aprofundamento da crise, a maior dificuldade para conseguir um emprego e a inflação alta. "As pessoas têm tentado arrumar emprego para outras pessoas da casa para que a renda não caia. O brasileiro percebeu que a situação é muito séria", disse.
O representante da CNI, explicou que o temor maior está entre as pessoas com mais de 55 anos porque elas já vivenciaram uma situação de inflação alta e um período longo de desemprego, além de acompanharem mais o noticiário.
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Sandro Silva, disse que este ano o desemprego está aumentando e isso gera essa situação de medo. O último dado disponível de desemprego da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE referente ao primeiro trimestre de 2015 mostra que o índice no Brasil ficou em 7,9% contra 7,2% no mesmo período do ano passado. No Paraná, no primeiro trimestre do ano o desemprego foi de 5,3%, índice maior que os 4,1% registrados nos três primeiros meses de 2014. "Temos um impacto significativo no mercado de trabalho com o aumento do desemprego", disse.
Já a taxa de desocupação medida pelo IBGE em seis regiões metropolitanas também mostrou aumento e passou de 4,9% em maio de 2014 para 6,7% no mesmo mês deste ano. Para Silva, a taxa de desemprego deve continuar aumentando neste ano e, para reverter esse quadro dependeria da retomada de investimentos do setor privado e da redução de juros. Fonseca, da CNI, também acredita que a tendência de aumento do desemprego continue nos próximos meses, o que vai elevar o índice de medo da população.
Para Zurcher, o temor do desemprego tem aumentado até porque as pessoas veem familiares ou amigos próximos que foram demitidos. Além disso, ele destacou que as pessoas estão endividadas e, com este cenário, o medo do desemprego aumenta. Ele também prevê aumento do desemprego nos próximos meses.
Por outro lado, o Índice de Satisfação com a Vida aumentou 1% em junho, na comparação com março, e está em 95,6 pontos, no entanto, no segundo menor patamar da série, acima apenas do alcançado em março. Em relação a junho de 2014, porém, há queda de 7,3%. A pesquisa da CNI foi feita com 2.002 pessoas em 141 municípios entre 18 e 21 de junho. (Com agências)


