Curitiba Depois de bloquear a entrada no Paraná de caminhões vindos de Mato Grosso do Sul com possíveis cargas transgênicas, o governo do Paraná suspendeu agora o desembarque e a exportação de soja no Porto de Paranaguá. Desde sexta-feira passada, os caminhões que transportam soja estão proibidos de descarregar sua carga nos silos do porto, e o embarque de soja nos navios ancorados está vedado.
Segundo o superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), Eduardo Requião, as atividades com soja foram suspensas no porto após denúncias de que soja transgênica proveniente da Argentina estaria sendo descarregada nos silos do Porto de Paranaguá para ''batizar'' a soja já armazenada, impedindo que a mesma fosse exportada para a China. ''Existem empresas multinacionais que têm interesse em prejudicar o acordo comercial que estamos tentando fechar com a China, que garantiria um mercado importador para a soja tradicional paranaense pelos próximos 10 ou 15 anos'', acusou Eduardo.
As operações com soja devem ficar suspensas no porto até pelo menos sexta-feira, prazo em que o superintendente da APPA acredita que seja encerrado os testes que a Empresa Paranaense de Classificação de Produtos (Claspar) está fazendo na soja armazenada nos silos. ''Temos 62 mil toneladas estocadas que estão sendo fiscalizadas. Qualquer índice de contaminação por transgênicos, nem que seja de 1% da carga, já inviabiliza a exportação para o mercado chinês'', explicou.
O valor da soja armazenada que não está sendo embarcada durante a fiscalização é de US$ 18,6 milhões. Eduardo Requião prefere esperar o resultado dos testes antes de antecipar o destino da carga caso a mesma esteja efetivamente contaminada por produtos transgênicos. ''Apesar da cifra impressionar, US$ 18,6 milhões é um valor insignificante perto das operações previstas no porto para este ano. Estimamos que a receita cambial que teremos até o final de 2003 é de US$ 5 bilhões'', destacou Eduardo. A Folha tentou entrar em contato com João Paulo Koslovski, presidente da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), para levantar os possíveis prejuízos com os produtores, mas foi informada que o presidente estava em viagem e incomunicável ontem.
Além de fiscalizar a soja que será exportada por Paranaguá e a que entra no Estado através de Mato Grosso do Sul, o governo está preocupado com os grãos que entram pela Ponte da Amizade, na fronteira com o Paraguai. Como o governo não tem autonomia para fiscalizar o produto que entra na fronteira, um acordo com o Ministério da Agricultura está sendo feito para a fiscalização do produto. ''A fiscalização deve ser eficiente. Queremos que o Paraná seja declarado uma área livre de transgênicos'', afirmou Eduardo.

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