São Paulo - O consumidor pode sair ganhando neste Natal com o recuo nos preços. A corrida das indústrias para faturar os volumes encomendados pelo comércio, mesmo depois da freada nas vendas no varejo no terceiro trimestre, começa a provocar um afrouxamento nas negociações.
Com medo de acumular estoques, os fabricantes, especialmente os de fogões, geladeiras e máquinas de lavar ficaram mais flexíveis nas negociações e até voltaram atrás nos aumentos de preços que pretendiam validar a partir deste mês. ''As indústrias de linha branca pararam de reajustar os preços'', diz um executivo do setor.
Além disso, o comércio, sabendo da boa oferta de produtos por parte dos fabricantes, ficou mais cauteloso nas compras, depois da freada nas vendas do último trimestre. A intenção a partir de agora é não carregar estoques elevados, especialmente diante da atual taxa básica de juros de 19% ao ano. A tática das lojas é tentar repassar o custo e o risco de acumular estoques para a indústria.
''A taxa de juros é um fator decisivo'', afirma o assessor econômico da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, Altamiro Carvalho. Segundo ele, as lojas estão cautelosas.
Cautela Sinais de cautela são visíveis no Índice Antecedente de Compras (IAC) apurado pelo Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV). No mês passado, esse indicador registrou queda de 9,6% ante outubro de 2004 nas cifras encomendadas pelos varejistas de itens a serem vendidos pelo comércio este mês. O indicador considera o mesmo número de lojas e engloba redes de peso, como C&A, Carrefour, Casas Bahia, Ponto Frio, Renner, Wal-Mart, entre outras.
De acordo com o consultor Marcos Gouvêa de Souza, sócio do IDV, a cautela nas compras, especialmente de bens duráveis, é reflexo da menor expansão da renda das famílias neste ano e, nos últimos meses, pela queda da confiança do consumidor. (A.E.)

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