Medo de desemprego é menor entre salários mais baixos
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
O desempenho fraco da economia brasileira no ano não foi o bastante para aumentar o medo do brasileiro de perder o emprego, índice que caiu de 75,6 em setembro para 74,5 em dezembro, segundo o Índice do Medo do Desemprego (IMD) da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado ontem. Porém, o receio é maior conforme aumenta o grau de instrução e a renda familiar do trabalhador, o que mostra que o País tem disponibilidade de vagas com salários mais baixos. Em Londrina, são pouco mais de mil vagas para serviços pouco especializados disponíveis no Sistema Nacional de Emprego e Renda (Sine), parte delas sem nem mesmo um candidato ao cargo durante as entrevistas.
Pessoas que ganham de um a dois salários mínimos, ou de R$ 622 a R$ 1.244, têm IMD de 74,3, enquanto quem recebe de dois a cinco salários mínimos ficou com 73,2. Para os trabalhadores com renda acima de dez salários, o índice aponta medo de 78,9.
A supervisora das agências do Sine em Londrina, Izabel Cristina Ribeiro dos Santos, diz que o órgão trabalha com vagas para pessoas de menor renda e que não exigem muita qualificação. Ela diz que a demanda é menor do que a oferta, o que aumenta a chance de conseguir um emprego e, também, a rotatividade. "Temos muitas vagas e pouca procura, mas, quando aparece uma chance com salário maior, é preenchida rapidamente."
Izabel afirma que os salários em Londrina estão defasados. "Temos muitas vagas em mercados, mas como paga pouco, ninguém aparece. Quando abriu uma nova rede na Zona Norte que pagava melhor, fechou o quadro de funcionários bem rápido."
O economista Roberto Zurcher, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), afirma que o medo maior de quem recebe bons salários é justificado. Ele diz que essas pessoas tendem a estar na indústria, que não teve um bom ano, apesar de também não diminuir o número de vagas. "Esses empresários têm tido resultados fracos e o fim do ano é a hora de ajustes. Os salários maiores são os primeiros a serem afetados", conta.
Por outro lado, a indústria tem mantido os funcionários de olho no esperado crescimento de 4% no Produto Interno Bruto (PIB) para 2013. Zurcher afirma que é caro trocar um funcionário qualificado. "O mais especializado é o último a ser demitido pelo setor, porque os gastos com treinamentos são altos."
O economista conta que, apesar da expectativa de crescimento do PIB neste ano girar em torno de 1,5%, os setores de comércio e serviços foram bem. "Há uma escassez de mão de obra nesses setores e há até empresas que buscam funcionários em outras, concorrentes ou não."
No Sul
O Sul do País teve uma queda no IMD de 77,2 em setembro para 74,2 em dezembro, o segundo menor, atrás do Sudeste, com 72,2. O índice de medo nas regiões Norte e Centro-Oeste é de 81,6 e na Nordeste, de 75. "O Sul e Sudeste são mais tradicionalistas, mais pés no chão quando o assunto é sentimento sobre economia, porque são pessoas que tem maior renda e poupam mais", diz Zurcher.

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