Londres O temor de calote na dívida brasileira, possibilidade que se tornara quase inevitável no início do segundo semestre do ano passado, parece ter desaparecido do radar de analistas e investidores estrangeiros. O forte ajuste das contas externas nos últimos meses e o compromisso do governo Lula com a austeridade fiscal e monetária vêm alicerçando uma recuperação na confiança nas perspectivas do País, que se reflete na alta dos C-Bonds, os papéis soberanos de maior liquidez negociados no exterior.
''O que estamos vendo hoje com o Brasil é uma recuperação com efeito retardado, que já deveria ter ocorrido antes e vai continuar ao longo do ano'', disse Jerome Booth, chefe de pesquisa do fundo de investimentos Ashmore Investment Management, que controla US$ 2 bilhões em mercados emergentes. Booth foi um dos raros analistas que mantiveram um acentuado otimismo com o Brasil, mesmo quando o catastrofismo dominava os mercados no período pré-eleitoral.
''Entre os investidores há hoje um consenso muito forte de que as profecias pessimistas feitas no ano passado foram desmentidas, e o que vimos foi uma volatilidade criada pelo momento político. O sentimento mudou'', comenta Booth, que acredita que a taxa de risco Brasil, que está atualmente em torno dos 1.100 pontos, vai cair para cerca de 700 pontos até o fim do ano. Segundo ele, o ajuste nas contas externas, a conduta austera do governo e um cenário externo favorável devem estimular essa recuperação.
O diretor do departamento de risco da consultoria Economist Intelligence Unit (EIU), David Anthony, observou que a vulnerabilidade da economia brasileira não foi afastada, mas a possibilidade de uma moratória ficou mais distante. Segundo ele, com a manutenção da atual linha adotada pelo governo, aliada à execução de reformas e a um impacto limitado de um conflito militar no Iraque, o Brasil poderá recuperar o acesso ao financiamento aos mercados externos no segundo semestre deste ano.

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