Brasília - O medo da inflação provocou uma piora nas expectativas do consumidor em relação à economia brasileira. Mas ainda não foi suficiente para reduzir a disposição de gastar. O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec) do segundo trimestre, divulgado ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostra que a intenção de realizar compras de maior valor nos próximos seis meses, como móveis e eletrodomésticos, é a maior de toda a série histórica, iniciada em 2001. E o pessimismo em relação à evolução das taxas de inflação é o maior desde o primeiro trimestre de 2002.
Das 2.002 pessoas entrevistadas entre os dias 20 e 23 de junho pela pesquisa, 68% esperam um aumento da inflação no segundo semestre, contra 13% que apostam numa redução. Outros 19% acham que a inflação continuará no mesmo nível. A CNI atribuiu a piora na avaliação ao aumento da inflação dos últimos meses, não mais restrita ao setor de alimentos, como no início do ano.
Os entrevistados também declararam estar mais endividados do que na pesquisa realizada no primeiro trimestre. Além disso, 26% acreditam que terão a renda mais comprometida nos próximos seis meses; 37% esperam continuar no mesmo nível de endividamento dos últimos três meses e 25% esperam estar menos endividados nos próximos seis meses. Somente 12% disseram não ter dívidas.
Para a CNI, a expectativa de redução da renda real, por conta da inflação, e o aumento do endividamento, poderão levar a uma maior inadimplência no futuro, ''o que, certamente, impactaria a evolução do consumo''. Metade dos entrevistados afirmou que deve manter o seu nível de compras de bens de maior valor enquanto que 30% esperam aumentar as compras. Somente 20% dos consumidores pretendem diminuir os gastos. No Inec do primeiro trimestre de 2008, 34% esperavam reduzir o consumo.
Os consumidores também revelaram maior apreensão quanto ao desemprego e à evolução de sua renda, esta última associada ao aumento da inflação. Para elaborar o Inec, que tem periodicidade trimestral, é usada a média ponderada de cada resposta.
O índice do segundo trimestre de 2008 atingiu 109,8 pontos ante 111,5 pontos no primeiro trimestre. Um recuo 1,6%, puxado principalmente pelo receio da elevação dos preços. Apesar disso, o indicador continua positivo por se manter acima dos 100 pontos.

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