Medo da inflação mantém juros básicos em 19%
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2002
Agência Folha 
A preocupação com a alta da inflação levou o Banco Central a manter os juros básicos da economia em 19% ao ano. A decisão foi tomada hoje pelo Copom (Comitê de Política Monetária do BC). A taxa vai vigorar até a próxima reunião do comitê, no mês que vem.
A manutenção dos juros já era esperada pelo mercado, por causa das ameaças ao cumprimento das metas de inflação. Ao explicar a decisão, o BC divulgou uma nota dizendo que o recuo da inflação em ritmo mais lento do que o esperado levou o Copom a manter a taxa Selic em 19% ao ano.
O BC não promove reduções nos juros há um ano. Em janeiro de 2001, taxa caiu de 15,75% para 15,25% ao ano. Desde então, a disparada do dólar e a alta da inflação fizeram com que o Copom aumentasse os juros por cinco vezes. A taxa está em 19% ao ano desde julho.
Mesmo com o aumento dos juros, a inflação de 2001 ficou em 7,67%, acima da meta fixada pelo governo -4%, com margem de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.
Neste ano, a meta é de 3,5%, também com margem de dois pontos. O BC projeta uma inflação de 3,7% para 2002. Desse número, o reajuste das tarifas públicas deve responder por 1,6 ponto.
A principal ameaça à estabilidade da inflação é o comportamento da taxa de câmbio. Segundo o BC, a alta do dólar foi responsável por um aumento de 2,9 pontos percentuais na alta do IPCA no ano passado.
Para este ano, a expectativa de uma recuperação no nível de atividade econômica pode agravar esse quadro. Quanto mais a economia cresce, mais espaço as empresas têm para repassar a alta do dólar para seus preços, pressionando a inflação.
Um dos objetivos do BC ao manter os juros elevados é justamente controlar o ritmo de crescimento da economia, para evitar que um forte aquecimento no nível de atividade leve a um aumento da inflação.
Além disso, juros altos também ajudam a controlar o câmbio. Com uma taxa mais elevada, os investidores são incentivados a trocar suas aplicações em dólar por investimentos em renda fixa, tirando um pouco da pressão sobre a cotação da moeda norte-americana.


