Medo da cólera esvazia peixarias e restaurantes
Restaurantes especializados em frutos do mar e peixarias estão vazios em Curitiba desde que estourou a epidemia da cólera em Paranaguá. O resultado do pouco movimento já pode ser sentido no bolso dos comerciantes, que estão desesperados com a fuga da clientela. Com medo de comer peixes contaminados, os consumidores mudaram o cardápio. O que eles não estão levando em conta é que as peixarias e restaurantes curitibanos não compram os produtos em Paranaguá.
Todo o fornecimento de frutos do mar vem do litoral de Santa Catarina, principalmente de Itajaí, Florianópolis e São Francisco do Sul. A falta de divulgação destas informações faz com que o comércio amargue um prejuízo ainda não calculado pela maioria dos lojistas.
A peixaria Barra Velha, que leva inclusive o nome de um município catarinense, mostra que está com as vendas reduzidas. O gerente Carlos Castilho diz que em tempos normais comprava dos fornecedores até 4 mil quilos de peixe e camarão. O movimento caiu tanto que vamos vender no máximo mil quilos nesta semana, afirmou Castilho. A peixaria tem um faturamento médio de R$ 5 mil.
O gerente da peixaria tenta orientar os consumidores, mostrando que os produtos são comprados em Santa Catarina. O problema é que muitos clientes cativos sequer estão indo à peixaria.
O presidente da Associação do Comércio de Pescados, José Antonio Correia, disse que algumas peixarias tiveram de fechar temporariamente as portas até a crise passar. Irritadíssimo com a situação, Correia culpa o governo do Estado e a prefeitura pela falta de informação ao público.
Esse nosso governador Jaime Lerner é muito fraquinho, mesmo. Só sabe cobrar imposto. Ele deveria fazer uma campanha para mostrar à população que não vendemos peixe de Paranaguá, gritava Correia, dono da peixaria Paraíso. Antes da epidemia da cólera, a Paraíso vendia R$ 2 mil por dia, enquanto hoje está vendendo R$ 400. O prejuízo desta semana é de 60%, protestou.
Nos restaurantes a situação é tão complicada quanto nas peixarias. A dona do restaurante Rei do Camarão, Eunice Fiori lamenta a desinformação do público quanto a procedência dos frutos do mar. Todo o nosso peixe é trazido de Santa Catarina, mesmo assim o movimento é fraquíssimo, afirmou. Ela disse que nesta semana tem servido no máximo duas mesas por dia, quando o normal era atender 10 mesas, em dias da semana. Muitos dos peixes, entre eles o salmão, côngrio e pescada, são importados do Chile e Argentina.
Para comprovar se a situação vivida em seu estabelecimento era uma realidade nos demais restaurantes, dona Eunice percorreu o centro da cidade e verificou que todos estavam vazios. Se continuar assim vamos ter problemas no final do mês. Nem sei como vamos pagar os funcionários, afirmou.Kraw PenasTemor injustificadoJosé Antonio Correia, da Peixaria Paraíso: peixes são comprados em Santa CatarinaCarmem Murara





