Medidas vão atrasar liberação de cargas
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de setembro de 1998
Carmem Murara 
As principais empresas importadoras de Curitiba e as agências aduaneiras começam a calcular os reflexos que vão sofrer com a determinação do governo federal de controlar com mais rigor a entrada de produtos no País. Os importadores avaliam que o primeiro impacto negativo vai ser no tempo de liberação das mercadorias que entram pelo Porto de Paranaguá, aeroportos ou pelas Estações Aduaneiras do Interior (Eadis). A estimativa é que o tempo para se fazer o desembaraço dobre.
A empresa Pascomex - Associação de Comércio Exterior tem suas cargas liberadas no Porto de Paranaguá num prazo de 20 dias. Já na Estação Aduaneira da Cidade Industrial, o desembaraço é feito em três dias. Se hoje demora dois ou três dias, vai passar a demorar cinco ou seis dias, avaliou a assistente de Comércio Exterior da Pascomex, Márcia Cristina Marcílio.
A Pascomex trabalha com a importação de vários produtos, mas a empresa dá preferência para os tecidos. Márcia afirmou que com o aumento da fiscalização da Receita Federal os produtos ficarão mais tempo nos armazéns, o que representará um custo adicional. O controle mais rígido torna a desova das cargas mais lenta e isso isso vai encarecer, afirmou.
O importador Sandro Baji, dono da empresa Sobre Rodas Pneus e Acessórios, também reclamou das medidas adotadas. Mas ele disse que o volume de importações não vai se reduzir como espera o governo federal. A maior fiscalização deve espantar um pouco os pequenos importadores, mas isso não significa que o atual volume de importação vai ser afetado como quer o governo, afirmou Baji. Há sete anos no ramo da importação, Baji já enfrentou situações piores como a que elevou para 70% a alíquota de importação dos carros importados. Hoje, a taxa está em 20% para carros e autopeças.
Mesmo quem não foi afetado diretamente pela medida do Ministério da Indústria e Comércio tem preocupação sobre o futuro da importação no País. Nós não fomos afetados, mas será que o governo não vai ampliar as restrições para nosso segmento, afirmou o gerente administrativo da Medicor Comércio de Importação e Exportação de Produtos Cirúrgicos, Eli Queiroz. A importadora abastece vários hospitais na cidade.


