São Paulo - A falta de iniciativas do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mais até do que a continuidade do convencionalismo econômico, pode gerar riscos para o crescimento sustentado da economia brasileira. O alerta é da LCA Consultores, ao analisar, em relatório distribuído a clientes, os prováveis maiores problemas políticos de 2004.
Se isso ocorrer, a consultoria prevê a queda da expectativa positiva da população em relação ao governo do PT que se manteve ao longo de 2003, apesar dos problemas de desemprego e de queda de renda da população.
Na média, 40% dos entrevistados, em vários institutos, avaliaram o governo Lula como ótimo/bom no decorrer do ano. ''Até agora foi possível culpar as circunstâncias pelo elevado desemprego, pela queda da renda e pela estagnação econômica'', diz a LCA. ''Daqui por diante crescerá a cobrança por iniciativas mais concretas voltadas ao crescimento econômico.''
De acordo com a consultoria, o presidente Lula tem tido bom relacionamento com os partidos, empresários, trabalhadores organizados e população em geral. Mas a LCA aponta que este relacionamento tem se dado de forma isolada, sem que o presidente use essa aceitação geral como estímulo para ''um compromisso social mais amplo com o crescimento, o emprego e a renda.''
Neste ano, as iniciativas do governo se limitaram a pequenas medidas do Executivo, como microcrédito e negociação fiscal, repetindo o ''padrão de pouca eficácia'' dos governos passados. ''Parte importante desta falha pode ser atribuída aos constrangimentos decorrentes do próprio sucesso da ortodoxia econômica, pois juros altos e política fiscal draconiana são ingredientes indigestos em um compromisso desse tipo'', pondera a LCA, em seu relatório.
Mas outra parcela desta falta, acrescentam os consultores, decorre de problemas sérios de coordenação intergovernamental que pode ser revista com o anúncio da reforma ministerial que deve ser anunciada no início de 2004.

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