Com o objetivo de segurar a recente alta do dólar no País, o governo anunciou ontem a redução de dois anos para um ano o prazo dos empréstimos externos com alíquota de 6% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A medida anunciada pelo Ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem o intuito de incrementar a captação dos empréstimos pelas empresas, o que aumentaria o volume de dólares no mercado brasileiro e, consequentemente, reduziria o valor de comercialização da moeda.
A nova regra sai um dia depois da medida anunciada pelo Banco Central (BC) também para auxiliar a entrada da moeda no País: os exportadores poderão adiantar em até cinco anos os dólares que receberão de vendas contratadas no exterior sem o pagamento de IOF de 6%. Até então, só podiam fazer isso sem o imposto para prazo de até um ano. As mudanças ocorrem dias após o dólar bater a casa dos R$ 2,14 e obrigar o BC a fazer uma forte intervenção no mercado de câmbio, injetando perto de US$ 4 bilhões, para evitar a alta da moeda americana. Em novembro a dólar fechou a R$ 2,13, maior elevação mensal nos últimos três anos.
Em entrevista coletiva após o anúncio, Mantega disse que tais medidas ''melhoram as operações de capital de giro das empresas e também os investimentos produtivos na economia nacional''.
Para o vice-presidente do Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças (Ibef), Clécio Luiz Chiamulera, a estratégia do governo é tentar manter a moeda americana na casa dos R$ 2. Ele relembra medidas tomadas no início deste ano com objetivo inverso, ou seja, inibir a entrada de dólares no País, já que seu valor estava bem abaixo. ''Como a moeda subiu além do ideal, as duas medidas foram tomadas nesta semana para ajudar a equilibrar este valor.''
Na opinião de Chiamulera, o equilíbrio é a melhor forma de agradar tanto os empresários exportadores como os importadores. Segundo o economista, quando a moeda americana está muito desvalorizada, os exportadores passam por dificuldades no País e, no caso contrário, quem acaba sofrendo são aqueles empresários que utilizam matérias-primas atreladas ao dólar. ''Não acredito que estas novas medidas possam fazer muito efeito, já que outros fatores estão envolvidos na oscilação da moeda. O que o governo fez foi reduzir alguns dificultadores na captação destes recursos para atingir um patamar que favoreça a todos.''
Já o economista Cláudio Gonçalves, da Trevisan Escola de Negócios, salienta que a medida foi acertiva e que logo a moeda americana deve baixar para a casa dos R$ 2,05. ''Agora o governo puxa o freio de mão e faz movimento contrário. Quando a relação dólar real estava em R$ 1,70, os empresários diziam que estava ocorrendo a desindustrialização do País. Além disso, o patamar de R$ 2,05 agrada o governo por não pressionar a inflação no País'', complementou. (Com Folhapress)

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