'Medidas têm que ser da porteira para dentro'
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terça-feira, 01 de março de 2011
Victor Lopes <br> Reportagem Local 
Para José Antonio Fontes, presidente da Associação Nacional de Produtores de Bovinos de Corte (ANPBC), as ações divulgadas pelo ministro Wagner Rossi são bem vindas, mas há outras questões que deveriam ser priorizadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (MAPA) para reduzir custos e aumentar a produtividade de forma efetiva.
Fontes explica que interessa, por exemplo, a criação de um programa de melhoria da qualidade do plantel, incrementando a taxa de desfrute - que mede a capacidade que o rebanho tem para gerar excedentes. Para destacar a eficiência produtiva, ele compara Estados Unidos e Brasil. ''Eles produzem 11,6 milhões de toneladas de carne com 83 milhões de cabeças de gado. Nós produzimos oito milhões de toneladas com 200 milhões de cabeças.''
Com programas voltados à produção, manejo e alimentação, a ideia é que haja acréscimo do abate da carne por hectare, o que melhoraria a qualidade do produto e deixaria os preços mais competitivos. ''É claro que essas ações estruturais são importantes, mas acho que as medidas mais interessantes são da porteira para dentro, como a implantação de tecnologia. Um bom exemplo já desenvolvido é a integração lavoura-pecuária'', cita o presidente da ANPBC.
Em relação aos pontos citados pelo ministro Wagner Rossi, Fontes diz que toda medida que diminua o frete, ''o mais caro do mundo'', é decisiva para os pecuaristas. ''Perdemos muito tempo no transporte e as estradas estão em péssimo estado, o que gera lesões na carcaça do animal, desvalorizando-as'', critica. Já os insumos, segundo ele, ''representam de 3% a 5% no custo de produção''.
Já Gustavo Andrade Lopes, presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), comenta que pontos como aplicação de insumos e transporte têm menor peso na pecuária do que na agricultura. Entretanto, ele acha válido o MAPA estimular o setor. ''O interessante é a viabilização de recursos para a tecnologia, já que o nosso grande desafio é aumentar a taxa de desfrute. O Ministério deve sentar com as instituições relacionadas ao setor para discutir os pontos mais importantes'', avalia Lopes.
Em 2011, a expectativa é que sejam abatidas no Brasil por volta de 8,6 milhões de toneladas de carne, um aumento de 5% no abate em comparação ao ano passado. ''O Paraná tem um rebanho de nove milhões de cabeças e deve abater por volta de 500 mil toneladas'', calcula José Antonio.


