Curitiba - A elevação da meta do superavit primário (resultado da arrecadação do governo menos os gastos e excluindo os juros da dívida pública) do Governo Federal em R$ 10 bilhões anunciada ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi considerada como ''cosmética'' pelos analistas ouvidos pela Folha.
O economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, disse que a mudança não vai trazer resultados para as indústrias do Estado, apesar de o governo prever aumento de investimentos e redução de juros, a longo prazo.
''O relatório Focus de hoje (ontem) do Banco Central não mostra tendência de queda dos juros'', disse. Ele lembrou que a medida de elevar o superavit primário é ''mais notícia do que efeito prático''. Ele acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central não deva anunciar diminuição de juros na reunião que acontece hoje e amanhã. Isso porque a inflação ainda está elevada.
''A medida anunciada pelo ministro Mantega é mais cosmética para reverter as expectativas pessimistas para a economia do Brail que podem ser provocadas com a crise americana'', disse o economista e presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Gilmar Mendes Lourenço.
Segundo ele, o deficit nas contas do governo é responsável pela resistência da inflação. Aumentando a meta de superavit, o governo estaria fazendo esforço para a redução dos seus gastos. Lourenço acredita que a medida só teria efeito se fosse acompanhada pela redução dos juros. Lourenço destacou que cada ponto percentual que o Banco Central cortasse na taxa Selic, economizaria R$ 13 bilhões.
Até o final do ano ainda devem ocorrer três reuniões do Copom. Caso os juros fossem reduzidos em 1% a cada reunião, o governo conseguiria uma economia de R$ 40 bilhões nos encargos que incidem sobre a dívida pública. ''Essa medida anunciada hoje (ontem) é mais para mostrar para os mercados que o governo está preocupado com os efeitos da dívida americana'', destacou.
A proprietária da fábrica e loja de roupas infantis, Be Little, Luciana Bechara, disse que a redução de juros é importante para as pequenas empresas conseguirem crédito no mercado. ''Se os juros baixassem sobraria mais dinheiro para os bancos emprestarem para as pequenas empresas que usam muito linhas do BNDES'', comentou. Segundo ela, ficaria interessante para fazer investimentos e comprar maquinário.
Luciana tem uma fábrica de roupas em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, uma loja física na Capital e uma loja virtual. A empresa tem 10 anos no mercado, emprega 40 funcionários diretos e 60 indiretos. A previsão dela é aumentar 30% o faturamento neste ano.

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