Medidas preventivas conservam polinizadores
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terça-feira, 16 de agosto de 2016
Reportagem Local 
Uma pesquisa publicada no início do mês pela revista científica on-line PeerJ identificou ameaças e oportunidades para as abelhas e demais espécies polinizadoras que fornecem serviços agrícolas e ecológicos essenciais. O estudo, financiado pela União Europeia, foi conduzido por um grupo de 17 cientistas, pesquisadores de órgãos governamentais e ONGs liderados pelo professor Mark Brown, da Royal Holloway University of London.
Os cientistas usaram um método de "escanear o horizonte" para identificar ameaças futuras que exigem medidas preventivas e identificar oportunidades a serem aproveitadas a fim de proteger as abelhas e demais insetos, assim como aves, mamíferos e répteis que polinizam flores silvestres e cultivos agrícolas.
"Aproximadamente 35% da produção agrícola mundial e 85% das plantas silvestres com flores dependem de polinizadores, que enfrentam as mais diversas dificuldades para sobreviver e prosperar. Buscamos infantilmente mitigar essas perdas ao invés de impedi-las, em primeiro lugar", explicou Brown.
De uma longa lista de 60 riscos e oportunidades identificadas para os polinizadores, a equipe selecionou seis prioridades: controle corporativo da agricultura em escala global; sulfoximina, uma nova classe de inseticidas sistêmicos; novos vírus emergentes; aumento da diversidade de espécies polinizadoras manejadas; efeitos de eventos extremos no âmbito das mudanças climáticas e redução no uso de produtos químicos em ambientes não-agrícolas. A pesquisa destaca a consolidação das indústrias agroalimentares como a maior ameaça para os polinizadores.
Para o professor Brown, no entanto, nem todas as perspectivas são ruins. "Essa dominação global, por exemplo, oferece uma oportunidade para influenciar a gestão da terra e torná-la favorável aos polinizadores em grandes escalas. Mas, para isso, seria necessário que a indústria agroalimentar trabalhasse em estreita colaboração com as ONGs e os pesquisadores", ressalta.
Único cientista brasileiro a participar do estudo, o professor Breno Magalhães Freitas, do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal do Ceará, também acredita que apenas com uma ação conjunta entre governos, empresas e a sociedade será possível diminuir os impactos sobre os polinizadores. "Temos que chamar governos e grandes corporações da indústria agroalimentar e de agroquímicos para assumirem suas parcelas de responsabilidade e atuarem em conjunto com os pesquisadores, ONGs e a sociedade em geral. O foco deve ser na implantação de medidas preventivas, para minimizar ou eliminar os possíveis problemas antes que aconteçam."


