Medidas para reduzir juros saem amanhã
Agência Estado
De Brasília
O presidente Fernando Henrique anunciará amanhã um conjunto de medidas para reduzir os juros cobrados nos empréstimos bancários. A idéia, baseada em estudos do Banco Central (BC) é reduzir a diferença entre as taxas cobradas pela rede bancária e os juros básicos da economia.
As ações do governo vão se concentrar em três diferentes áreas: o ataque à inadimplência, o aumento da concorrência no mercado financeiro e a redução dos custos dos bancos. A preocupação do governo na área da inadimplência é tornar mais ágil a cobrança de empréstimos bancários em atraso. As mudanças, neste caso, envolverão o envio de propostas de mudanças na legislação atual ao Congresso.
O diretor de Política Econômica do BC, Sergio Werlang, já comentou que a inadimplência é a principal razão do diferencial entre os níveis dos juros básicos da economia e o cobrado dos clientes de bancos. A prática de juros mais altos é o instrumento usado pelos bancos para reduzir o risco de atraso dos empréstimos e compensar a falta de agilidade que eles têm para cobrar.
O governo, ao mesmo tempo, pretende estimular a concorrência no sistema financeiro. Para o BC, as margens de lucro das instituições estão em um patamar que reflete uma concentração de mercado no setor. A ação, neste aspecto, deverá concentrar-se no aumento da transparência dentro do sistema. Isto será feito com a colocação de informações sobre as taxas na página do BC na Internet.
O esforço de redução dos custos bancários que são repassados aos tomadores de empréstimo das instituições financeiras se concentrará em duas áreas: revisão da estrutura de compulsórios e da tributação incidente sobre estas operações. A redução da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) cobrada nos empréstimos é uma das medidas que deverão fazer parte do anúncio a ser feito pelo presidente FHC e pelo diretor de Política Econômica do BC.
A revisão da estrutura de compulsório também passará pela diminuição do volume de recursos depositados, involuntariamente pelos bancos junto ao BC. A redução, neste caso, deverá ser feita levando em conta o impacto que uma medida desta magnitude poderá ter sobre o nível de atividade econômica e os seus reflexos sobre a inflação. Isto será feito pelo fato de a política monetária do governo ser agora voltada para o alcance de metas de inflação já fixadas para este e os próximos dois anos em 8%, 6% e 4%, respectivamente.





