Ao divulgar o Programa de Estabilidade Fiscal, o ministro Pedro Malan (Fazenda) afirmou que o País foi forçado a adotar de imediato medidas que poderiam ter sido aplicadas de forma mais paulatina, se não fosse a crise financeira internacional. ‘‘O tempo do gradualismo acabou’’, insistiu Malan, em quatro ocasiões.
‘‘Precisamos dar uma resposta à altura dos desafios do momento presente’’, disse. Depois de detalhar o desequilíbrio atual das contas públicas, o ministro afirmou que não estava anunciando um pacote econômico com medidas inesperadas, mas um programa de mudança da estrutura e do regime fiscal.
Apesar de ressaltar que a crise que o país atravessa é internacional, Malan insistiu que as soluções para os problemas devem vir de um esforço doméstico. ‘‘O objetivo principal dessas medidas é mostrar a nós mesmos que temos todas as condições e capacidade de, com coisas nossas, buscar soluções de curto e médio prazos para os problemas’’. Ele ressaltou, mais uma vez, que o governo não cogita alterar o cambio.
Sobre o FMI, com o qual o governo está negociando a concessão de um empréstimo a ser usado em uma situação de emergência, Malan só fez uma referência passageira. Já no final do pronunciamento, o ministro afirmou que este ano foi o primeiro em que ele viu os diretores do fundo admitirem que os problemas econômicos que o mundo está enfrentando são ‘‘de natureza sistêmica’’.
Malan se mostrou, ainda, otimista em relação à reação do Congresso e dos Estados às medidas. Ele afirmou que, no café da manhã do qual havia participado com líderes do governo no Congresso logo cedo, a atmosfera tinha sido de ‘‘apoio e compreensão’’ às medidas adotadas. Ele também se mostrou satisfeito com o resultado das eleições estaduais, nas quais o eleitor ‘‘recompensou nas urnas os governadores que tentaram viver dentro dos seus limites’’. A reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, segundo Malan, também foi interpretada pelo governo como um apoio às iniciativas.

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