Medidas dos Correios causam impacto no e-commerce
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terça-feira, 11 de junho de 2013
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
No último dia 20 de maio, os Correios realizaram o reajuste de preços das encomendas expressas e econômicas. Segundo a assessoria de imprensa da empresa, o reajuste médio foi de 7,2% e atingiu os serviços de Sedex, Sedex 10, Sedex Hoje, PAC e Disque Coleta. Além do reajuste, houve alterações nas regras de limites de peso para as entregas. Passado quase um mês, varejistas do comércio eletrônico afirmam que o aumento nos seus custos de entrega chegou a mais de 40% devido às mudanças.
O diretor da Loja Integrada empresa fornecedora de plataformas para lojas on-line -, Udlei Nattis, afirma que o maior impacto na sua base de clientes ocorreu por causa das mudanças no limite de peso do e-Sedex, muito utilizado pelo comércio eletrônico pelo custo-benefício. O limite máximo para o serviço caiu pela metade, de 30 quilos para 15 quilos. Outra alteração ocorreu com a faixa de peso do PAC, cujo limite mínimo passou de 300 gramas para 1 quilo.
Com a redução do limite de peso, o comércio eletrônico teve de passar a utilizar o serviço de Sedex, com aumento de 47% sobre os custos, ou o PAC que, apesar de mais em conta, possui prazo mais longo de entrega, afirma Nattis. "5% a 10% dos meus pedidos vão sentir impacto do e-Sedex", afirma Natália Oliveira, diretora da loja Linux Mall. Segundo ela, é comum em seu site encomendas grandes de livros e de pessoas que fazem pedidos em grupo, casos que ultrapassam o limite de 15 quilos.
"Com relação ao e-Sedex, o limite máximo de peso foi alterado para valores abaixo de 30 quilos, uma vez que o perfil das entregas para estes serviços é de pequenas encomendas. Mais de 90% da carga do comércio eletrônico é de até 5 quilos", afirmaram os Correios, por meio de nota enviada pela assessoria de imprensa.
Em um site de reclamações da internet, há usuários do serviço apontando casos em que o reajuste chega a mais de 40% sobre os valores de entrega, porcentagem muito acima da média de 7,2% apontada pela empresa. Um encomenda de São Paulo a Mato Grosso, antes R$ 13,80, passou a custar R$ 20,40, contou um dos consumidores, residente em São Carlos (SP), com incremento de 47,83%.
"Como meus clientes da internet pagam antecipado, não tenho como cobrar deles. E como meu lucro é baixíssimo nessas vendas, tive prejuízo enorme. Isso para não falar sobre os novos clientes que, quando questionam quanto vai ficar o frete, desistem na hora. Desde ontem as vendas estacionaram", relatou outra pessoa do Rio de Janeiro.
De acordo com a nota dos Correios, o reajuste foi baseado na "variação dos custos, tendência do mercado e evolução do cenário comercial", sendo que a última alteração nos valores dos serviços ocorreu em 21 de abril de 2012. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado no período foi de 7,17%. "Vale lembrar que o segmento de encomendas no Brasil é de livre concorrência, logo não há exclusividade dos Correios, que compete com grandes empresas nacionais e internacionais", declara ainda a empresa, em resposta ao reajuste.


