Medidas do BC devem ter impacto positivo
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Anne Warth<br> Agência Estado 
São Paulo - As medidas anunciadas ontem pelo Banco Central (BC) relativas aos depósitos compulsórios, que juntas somam R$ 27,1 bilhões e fazem parte de um programa de liberação de R$ 100 bilhões, vêm na sequência do que a instituição tem adotado para ampliar a liquidez do sistema financeiro e se aproveitam do fato de que os compulsórios no País são muito elevados, avalia o economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg.
''São medidas muito importantes, o volume de recursos é muito expressivo e acho que certamente vamos ter um impacto muito importante para o crédito, a liquidez e o sistema'', declarou o economista-chefe. E continuou: ''Temos enfatizado que temos um problema muito mais de liquidez. Felizmente no Brasil nós não temos o problema de solvência. O BC vem atuando e já adotou outras medidas lá atrás, se aproveitando do fato de que o Brasil tem compulsórios muito elevados para liberar esse compulsório e garantir liquidez ao sistema.''
Segundo ele, essas medidas têm caráter preventivo e procuram evitar que haja um ''estrangulamento'' do ponto de vista da liquidez até que o cenário internacional se mostre mais claro. ''O BC está procurando se antecipar a eventuais problemas e a um cenário em que, eventualmente, a solução dependa um pouco mais ou demore um pouco mais, e criando condições mais favoráveis para que a economia brasileira suporte esse período de maior tensão'', afirmou.
''São medidas muito importantes, o volume de recursos é muito expressivo e acho que certamente vamos ter um impacto muito importante para o crédito, a liquidez e o sistema'', declarou.
Sobre o aumento de R$ 2,5 bilhões para R$ 7 bilhões do patrimônio de referência máximo dos bancos que quiserem vender suas carteiras para outros bancos e a possibilidade de abater do recolhimento sobre depósitos à prazo, Sardenberg disse que trata-se de um instrumento adicional e que certamente ajudará instituições que tenham problema de liquidez e que possuam carteiras de créditos, que normalmente são ativos de boa qualidade.
Sardenberg disse que os compulsórios permanecerão em um nível elevado no Brasil mesmo depois que as medidas entrarem em vigor, mas essa é uma discussão para ser feita com objetivos de longo prazo, diferentemente do que o BC tem feito nas últimas semanas. ''O que o BC fez é uma questão muito mais de curto prazo, uma administração de política monetária, buscando dar uma resposta preventiva a esse cenário que estamos vivendo. Passada essa crise, eventualmente vamos rediscutir essa questão do compulsório em outras bases'' , disse, destacando que isso se dará um cenário de menos crédito e maior regulação.


