Medidas dividem economistas e lideranças empresariais do PR
O pacote de medidas econômicas anunciado ontem pelo governo federal provocou um choque de avaliações entre economistas e líderes de entidades das classes que representam os empresários no Estado. Os economistas traçaram um perfil recessivo para o País a partir dos próximos meses, com aumento do desemprego e queda nas vendas. Na linha oposta de raciocínio, os representantes das entidades avaliaram as medidas como necessárias, assegurando que o empresariado paranaense saberá entender o recado do governo federal.
O economista e ex-presidente do Banestado Luiz Antonio Fayet disse que o governo anunciou uma série de medidas que não serão cumpridas, como por exemplo a redução de despesas de custeio e investimentos. A tradição indica que não será cumprido este item, afirmou Fayet.
Uma das maiores críticas dos economistas foi o fato de o governo ter demorado muito para fazer um ajuste nos gastos públicos, preferindo fazê-lo apenas após a eleição e ainda aliado a um aumento nas alíquotas da CPMF e Cofins. O economista do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) Gilmar Lourenço lamentou o aumento dos impostos. O ajuste poderia ter sido feito apenas com a racionalização dos gastos públicos e combate a evasão e sonegação fiscal, e não com a indigesta carga tributária e juros altos, que vão trazer recessão, afirmou. Lourenço disse que o último relatório da Agência Dinheiro Vivo mostra que dos 66 países que fizeram o ajuste fiscal, só obtiveram êxito os que reduziram despesas em vez de aumentar a carga tributária.
O presidente do Conselho Regional de Economia, Luiz Eduardo Sebastiani, também fez uma série de críticas às medidas, enfatizando que ao aumentar a CPMF o governo não conseguiu colocar em prática a promessa de que o ajuste não afetaria as classes mais pobres da população e os assalariados. O governo disse que queria socializar a perda, mas a CPMF tem caráter regressivo e vai atingir todo mundo, afirmou.
Na linha oposta de raciocínio, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, José Carlos Gomes Carvalho, disse que aposta no corte de gastos e no sucesso do ajuste fiscal. Pela primeira vez o governo anunciou medidas que não são tapa-buraco, afirmou. Carvalho disse que um dos principais itens é a proposta de resolver o problema do déficit público.
O presidente da Federação das Associações Comerciais do Paraná (Faciap), Ardisson Akel, também avaliou as medidas como necessárias. A situação econômica exige medidas duras, que não são agradáveis, afirmou. Akel disse que os empresários do comércio terão de reduzir as margens de lucro por causa do aumento dos impostos.Arquivo FolhaOtimistaJosé Carlos Gomes Carvalho, presidente da FiepArquivo FolhaCéticoLuiz Antonio Fayet, ex-presidente do BanestadoCarmem Murara





