O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, disse ontem que somente hoje deverá ter uma definição sobre as medidas que o governo poderá adotar para socorrer os produtores do Paraná que tiveram a produção de trigo, milho e café (entre as principais culturas) prejudicadas pelas geadas. O ministro ainda não conseguiu concluir as negociações que vem mantendo com os ministérios da Fazenda e do Orçamento sobre possíveis financiamentos a serem concedidos para os produtores parananeses.
Em visita à Assembléia Legislativa, ontem, o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Antonio Poloni, articulou com os deputados da bancada estadual a formação de uma ampla frente da agropecuária paranaense para agilizar as reivindicações apresentadas ao Governo federal para minimizar os efeitos das geadas. Poloni foi à Assembléia fazer um relato das perdas e da gravidade da situação.
O secretário e os deputados querem sensibilizar a bancada federal e os senadores para que participem dessa frente. O Estado precisa de R$ 577 milhões para rolagem de dívidas e novos financiamentos para os produtores. ‘‘Mas a liberação desse valor de uma hora para outra não é fácil’’, admite o assessor da Faep, Carlos Augusto Albuquerque. Segundo ele, o Governo federal ainda não se manifestou porque precisa equacionar de onde virão os recursos para atender o flagelo da geada no Paraná.
Outra preocupação que está atrasando as medidas é a necessidade da equalização dos juros para atender o setor. As perdas diretas provocadas pelas geadas na agricultura somam R$ 1,08 bilhão. Mas um cálculo da Ocepar aponta que esse valor é potencializado para mais de R$ 3 bilhões, se for considerada as perdas no agronegócio. Se nada for feito, a previsão é que 197 mil trabalhadores rurais e pequenos produtores fiquem sem emprego, sendo 150 mil só na cafeicultura.
Independente da ajuda do Governo federal, o deputado Hermas Brandão (PTB) disse que o Governo estadual pode agilizar algum tipo de medida para ajudar a recuperar as lavouras. Entre elas, a cessão gratuita de sementes de milho destinadas ao pequeno agricultor e a concessão de recursos para formação de mudas de café destinadas à reposição das lavouras destruídas. Os deputados querem ainda auxílio de emergência às prefeituras para a formação de frentes de trabalho, utilizando a mão-de-obra desocupada nas propriedades.

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